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Nosso Corpo, Nossa Voz

O grupo de estudos e trabalho Vozes Agudas, formado por mulheres atuantes na cena artística paulista, tem como mote estudar e intervir no sistema das artes, via uma perspectiva feminista de crítica da cultura. Dentre as nossas proposições de análise e participação no “jogo” de (in)visibilidade do meio artístico, preocupa-nos as dificuldades de inserção e consagração de trajetórias de mulheres artistas, curadoras, educadoras, produtoras e tantas outras profissões do meio, e suas negociações sociais para manutenção das carreiras.

Como uma das frentes de apoio e de enfrentamento face às dificuldades encontradas pelas mulheres (em sentido expandido) para se consolidarem profissionalmente, nos deparamos constantemente com as estratégias de silenciamento e apagamento histórico – e pensando nesse paradoxo de ausência/presença das mulheres no meio das artes, decidimos efetuar e propiciar plataformas de fala e escuta sobre as experiências profissionais e pessoais, a fim de que haja a possibilidade de troca, de referenciamento e de propagação da memória.

Ao longo de um ano, com esforço e teimosia, realizamos palestras e falas públicas com convidadas de diferentes setores e contingências do sistema das artes, estudamos aspectos pertinentes aos problemas feministas no meio artístico e, como consequência, efetuamos gravações e demais registros sobre essas falas, conversas e encontros. O resultado disso, ainda em processo de consolidação, é o podcast Vozes Agudas, em que conversamos com essas figuras femininas, feministas ou não, sobre suas escolhas e conflitos da profissão.

A fim de marcar o investimento de meses nessas ações, apresentamos aqui uma pequena exposição de três das artistas entrevistadas nesse percurso, que ora tocam questões feministas e de política da identidade, ora oferecem possibilidades de desvio em verdades solidificadas sobre o eu-mulher.

Fabiana Faleiros, Virginia de Medeiros e Ana Teixeira, artistas pertencentes a diferentes gerações, regiões do país, com trajetórias profissionais diversas e metodologias de trabalho também particulares, formam então um conjunto heterogêneo de extratos sociais, mas coerente no mote de questionamento de afetos e desejos, de subjetivação feminina em diferentes direções e objetivos, e de resoluções formais para os discursos poéticos. De um feminino socialmente consolidado – mas atravessado de estranhamentos – até o feminino performado – almejado ou debochado frente às convenções sociais – o que alinhava essas produções, inclusive em suas discordâncias, é a inquietude quanto às demarcações da feminilidade e nosso exercício de esgarçamento desses códigos de gênero.

Fabiana Faleiros desenvolve projetos de performance, artes visuais e escrita, no Brasil e no exterior. É doutora em artes e defendeu a tese “Lady Incentivo – SEX 2018: um disco sobre tese, amor e dinheiro”. Nesse trabalho, a artista pesquisou sobre a construção histórica da feminilidade branca por meio de uma perspectiva feminista decolonial. 

Virginia de Medeiros é conhecida por seu trabalho híbrido entre documentário e proposta de fabulação da vida, trabalhando com vídeo-instalação e audiovisual. Virginia é motivada, principalmente, pelas possibilidades de encontro, os afetos gerados por esses contatos e pela capacidade de conexão com os outros, materializada de modo fracionado pelas imagens e textos que produz.

O trabalho de Ana Teixeira transita por diferentes meios, com interesse pelo desenho e pela arte participativa, tendo a literatura e o cinema como suas principais referências. Se interessa por uma arte que propicie encontros, que se misture com a vida cotidiana e resulte em possíveis repercussões nos participantes.

Sigamos com mais corpos e mais escutas…

O grupo Vozes Agudas: mulheres na arte é formado por Ana Paula Monteiro Nagano, Bia Mantovani, Cal Kielmanowicz, Emily Mayumi, Juliana Caffé, Karina Sérgio Gomes, Letícia Ranzani, Mariana Lorenzi, Sol Casal, Talita Trizoli, Tania Rivitti e Thais Rivitti.

 

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Curso Básico de História da Arte Brasileira: A Vez das Mulheres Contarem essa História

 

Você sabia que apenas 6% do acervo exposto no Museu de Arte de São Paulo (Masp) são de obras de artistas mulheres? Esse dado foi levantado pelas ativistas e pesquisadoras de arte do coletivo Guerilla Girls, quando vieram expor os resultados de suas pesquisas na instituição. Acontece que, na história da arte brasileira, muitas mulheres tiveram papel de destaque, que nem sempre é reconhecido.

A fim de valorizar esse protagonismo, o Curso Básico de História da Arte Brasileira: A vez das mulheres contarem essa história procura mostrar a atuação de quatro artistas em quatro momentos importantes do cenário artístico nacional.  A consolidação da Escola Nacional de Belas Artes e o início de um sistema e mercado de arte, por Georgina de Albuquerque (1885 – 1962); o Modernismo, por Anita Malfatti (1889 – 1964); Arte Concreta e Neoconcretismo, por Lygia Pape (1927-1994); Arte Conceitual, Videoarte e Instalação, por Regina Silveira (1939).

O objetivo deste curso é apresentar a história da arte brasileira para leigos e interessados por meio da vida e obra de quatro artistas, dando destaque à produção feminina. Aprofundar questões sobre os movimentos artísticos de que participaram por meio de contextualização histórica e apresentação de obras.

Quem pode fazer o curso?

Todos que queiram aprender um pouco sobre a história da arte nacional. Não precisa ter nenhum conhecimento anterior. Basta querer conhecer mais sobre nossas artistas.

Quando: Dias 06 e 13 de abril das 10h às 13h

Onde: Ateliê Ju Amora (Rua Itapicuru, 541)

Quem dará o curso?

Karina Sérgio Gomes é jornalista, especialista em gestão cultural e pesquisadora de arte contemporânea. Atualmente, dedica-se ao mestrado dentro da linha Abordagens teóricas, históricas e culturais da arte no Instituto de Arte da Universidade Estadual Paulista (IA-UNESP). Já ministrou curso de história da arte brasileira na Casa Guilherme de Almeida. Em 2014, fez parte da curadoria coletiva da exposição Vestígios, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP).

Faça a sua inscrição: https://goo.gl/forms/Wyfupa732iK2nnbb2

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Novidades podcast

PODCAST #6 Pergunta que eu respondo – Onde estão as mulheres na história da arte brasileira?

Você já se perguntou quantas artistas mulheres conhece? Não vale falar Tarsila do Amaral, Anita Malfatti ou Lygia Clark. Nesse podcast, eu comentei sobre a ausência de nomes de artistas mulheres na historiografia das artes brasileira, sobre um novo curso que vou dar e dessa minha ansia por conhecer as nossas artistas. Você também sente isso? E aí, vamos conversar? Me conta depois o que achou, mande sua crítica e sugestão para: ksergiogomes@gmail.com. Me siga no Instagram: @ksergiogomes

Ouça também no Spotify: https://open.spotify.com/episode/6GovRN9pxrnVkQqkcjwoS9

Para ouvir os outros, clique aqui

 

Link do meu artigo sobre a Regina Silveira aqui: bit.ly/2UDXtg6