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Palavras para a vida

[Perfil para o blog do Itaú, no site do prêmio Trip Transformadores, sobre pessoas que a instituição ajudou a transformar suas vidas.]

Thairiny Ribeiro, na época com 17 anos, cursava o terceiro ano do Ensino Médio e procurava um tema para escrever um artigo de opinião. “Eu tinha que encontrar um assunto que caracterizasse um problema da cidade”, lembra a jovem, que na época morava em Limeira, interior de São Paulo.

Um dia, lendo o jornal, uma notícia sobre o comércio de bijuterias da cidade lhe chamou a atenção. Achou que aquele poderia ser um bom tema para participar da Olimpíada de Português Escrevendo o Futuro, promovida pela Fundação Itaú Social, com o objetivo de ajudar a melhorar o ensino da leitura e escrita nas escolas públicas brasileiras.

Para se certificar de que o assunto renderia um bom texto, conversou com os professores, pesquisou sobre o problema e entrevistou pessoas que ganhavam a vida trabalhando com semijoias. “Achei que o tema era pertinente por abordar a condição de trabalho dessas pessoas e também a questão ambiental. Pois os resíduos do folheamento das bijuterias, descartados sem cuidado, poluem os nossos rios”, conta.

Sujando os sapatos

Durante uma semana, Thairiny pesquisou o tema na internet, entrevistou vizinhos que trabalham na confecção de semijoias e usou até sua própria mãe como fonte. “Quando eu era pequena, ela trabalhava com isso para complementar a nossa renda. Mas depois de uns três anos parou”, diz.

Para dar um embasamento mais teórico ao texto, Thairiny recorreu também às aulas de sociologia que tinha e chegou a citar o pensador Karl Marx em sua redação. “Na época em que estava escrevendo o texto, começamos a estudá-lo, e eu achei que as suas ideias combinavam muito com o meu tema.”

Leitora voraz da obra de Machado de Assis, sabia que empregar a ironia de seu autor favorito não seria uma boa saída, mas que poderia se inspirar nele para escrever um texto bem objetivo. “Eu tinha que ser clara para ir direto ao ponto”, diz. A estudante fez e refez o texto muitas vezes até chegar ao resultado esperado.

Com a boca no trombone

Thairiny não acreditava que sua redação passaria da seleção municipal porque o tema era uma questão delicada para a cidade, que vive praticamente da confecção e do comércio de bijuterias. No entanto, a aluna não só passou pela etapa municipal, como também pela estadual. Thairiny viajou para Brasília para disputar a final nacional.

Hoje, aos 19 anos, a estudante de engenharia civil da Universidade Federal de São Carlos, ainda fica orgulhosa ao falar sobre sua redação. “Meu texto foi para os jornais da cidade, fui chamada para falar dele na televisão”, conta. “Acho que, depois disso, eu consegui chamar atenção para o caso e alertar as pessoas.”

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Uma escola feita de educação e arte

[Perfil para o blog do Itaú, no site do prêmio Trip Transformadores, sobre pessoas que a instituição ajudou a transformar suas vidas.]

Em meados da década de 1970, as mães da comunidade Monte Azul, na zona sul de São Paulo, padeciam por não ter uma creche para deixar seus filhos. As crianças, sem ter onde ficar, perambulavam pela cidade. Em 1975, alguns desses pequenos foram bater na porta da pedagoga alemã Ute Craemer. A professora, que já tinha vontade de trabalhar em alguma comunidade carente da cidade, resolveu ajudar a meninada.

Com apoio de empresas e amigos alemães, em 1979, Ute conseguiu uma verba para construir uma creche para crianças de 3 a 7 anos, em um terreno da comunidade doado pela prefeitura. Naquele ano, Ute ainda ganhou a ajuda da pedagoga alemã Renate Keller Ignácio. “Desde que me formei em arte-educação, sempre quis trabalhar em algum país que chamávamos na época de subdesenvolvido”, conta Renate.

No início, as duas conseguiam educar apenas sete crianças dentro da linha pedagógica que seguiam, a Waldorf – que foca no desenvolvimento do ser humano a partir das vivências com o meio. Logo, Renate começou a dar aulas a mulheres interessadas em trabalhar na creche. As vagas aumentaram a partir da formação de novas professoras.

Nesse período, Renate e Ute recebiam doações, que eram usadas para comprar barracos dentro da comunidade e montar ali outras pequenas creches. “Eram pequenos polos educativos, em que duas professoras cuidavam de até 15 crianças”, explica.

Tudo em um lugar só
Em 2005, para conseguir a ajuda da prefeitura e aumentar o número de vagas, a escolhinha precisaria atuar em apenas um endereço. A princípio, as criadoras do projeto ficaram receosas. “O trabalho que fazíamos irradiava um pouco para todo o entorno de onde estavam essas escolas”, lembra Renate.

As pequenas creches foram substituídas por uma escola com capacidade para mais de 100 crianças. Mas a comunidade ainda carecia de um berçário para os bebês. Sem recursos para as obras, Renate e o grupo de gestores da Associação Comunitária Monte Azul enviaram um projeto ao Itaú Social solicitando uma ajuda para ampliar a escola. E, em 2011, foram contempladas com cerca de R$ 100 mil.

A verba foi utilizada para construir o berçário e uma sala para alunos em fase de alfabetização – de 4 a 6 anos. “Ficamos muito felizes”, diz Renate. “Nesse prédio novo conseguimos preservar as características educacionais dos nossos pequenos polos.”

Além da creche, a Associação mantém outros núcleos voltados a educação e cultura nas comunidades Horizonte Azul e Peinha. Também promove mutirões de saúde e luta por melhorias das condições básicas do local, como saneamento e energia elétrica. Ao todo cerca de 1.200 pessoas, entre crianças e jovens, são ajudados pela ONG.