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Cobertura de evento: Encontro de Viajantes

Veja abaixo alguns dos conteúdos publicados nas redes sociais do Sesc Bertioga durante a cobertura do evento Encontro de Viajantes, em comemoração aos 70 anos do turismo social do Sesc. 

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No intervalo antes do almoço, escutou-se pelos corredores um violão e um batuque animado. Não se tratava de nenhuma atividade oficial do evento, mas do grupo de viajantes festeiros de Santos: Onofre Marques de Almeida, 60 anos, Marcus Sales Galvão, 71, e Regina Célia Sales Galvão, 69. Como em todas as viagens que fazem juntos, ou mesmo nas tardes em Santos, eles se reúnem para cantar suas músicas favoritas. O repertório é variado: tocam samba, MPB e moda de viola. “Eu comecei a tocar violão para cantar as músicas que costumava a ouvir com meus pais”, conta Onofre. A animação é tanta que, em Santos, eles têm um bloco de carnaval chamado “Alegria de Viver”. Para eles, a música é parte importante das viagens que fazem pois ela promove a integração. De fato, não foi preciso tocar mais do que duas músicas para que outras pessoas se aproximassem e começassem a cantar junto. Uma alegria contagiante que logo se espalhou por toda lanchonete.

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A campineira Djanira Agustini, 70 anos, demorou para começar a viajar. Passou boa parte da vida cuidando dos pais e sem tempo para si. Depois que eles morreram — a mãe, em 2004, e o pai, em 2009 — , sentiu que estava caindo em depressão. Para aliviar os pensamentos ruins, começou a frequentar o Sesc de Campinas e descobriu as viagens e excursões promovidas pela instituição. Em 2010, fez sua primeira viagem para Porto Alegre e não parou mais. Ela não se recorda o número exato, mas já visitou mais 80 cidades pelo Brasil com o Sesc. “Esses passeios foram a minha salvação. Fiz amigos, conheci lugares e culturas incríveis”, conta. Ela já está tão costumada a fazer viagens pela instituição que, quando viaja sozinha, se pergunta: se eu estivesse aqui com o Sesc faria qual tipo de passeio? E tenta bolar uma atividade que tenha espírito parecido. O apelido Djatour ganhou em uma viagem por Cananéia. Em um bate-papo informal, perguntaram a ela qual era o seu sonho. A resposta foi: comprar uma van de turismo para levar os amigos para viajar. No automóvel, ela escreveria: Djatour. Mesmo que a van ainda não exista, para os amigos a marca já está registrada e eles fazem questão de ter a Djatour por perto em suas viagens.

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Mada e Laerte, de Bauru, visitam o Sesc Bertioga desde 1972. A primeira vez foi em sua viagem de lua de mel. E daquela data eles lembram de tudo: dos votos de amor eterno que trocaram em frente à imagem da santa da gruta ao bolo de nozes que comeram no café. Mesmo com o nascimento dos três filhos eles não faltaram. Em meados da década de 1980, a balsa que fazia travessia pelo Canal ficou sem operar devido a uma reforma. E isso não foi um problema para a família, pois vieram em um esquema de mochilão, cada trouxe sua própria bagagem pendurada nas costas. Ao chegar no Guarujá, pediram a um barqueiro que estava por perto para ajudá-los a chegar ao outro lado e alcançar a praia do Sesc. Assim que os filhos cresceram e saíram de casa, os dois continuaram a tradição. Para eles é sempre como se estivessem em mais uma lua de mel. Um respiro na rotina de casados e um momento em que podem dar atenção apenas um ao outro, como aconteceu há mais de 40 anos.

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CONTEÚDO Projeto Draft Web

Mecânico (ou mecânica) delivery que resolve os problemas do ciclista em casa? Tem na Bike123

Reportagem para site Projeto Draft.

Foi durante uma bicicletada, em 2008, que o profissional de relações internacionais Rafael Taleisnik, 32, e o psicólogo Eduardo Matsuoka, 30, se conheceram. O primeiro estava voltando a pedalar e achou interessante a bicicleta de roda fixa (que não tem marcha) de Eduardo. Pediu para dar uma volta. Depois desse encontro, tornaram-se amigos e acabaram empreendendo juntos em um negócio específico para quem gosta de pedalar: a Bike123 é uma plataforma que conecta técnicos de bicicleta com quem está precisando de um help com a magrela (desde um conserto simples, como pneu furado, até a montagem de um modelo comprado pela internet).

Quem vê os dois, hoje, felizes com o empreendimento, não imagina a trilha sinuosa que eles enfrentaram para chegar até aqui. Rafael já estava com um intercâmbio engatilhado quando surgiu a oportunidade de trabalhar como consultor de desenvolvimento de produtos e vendas da marca Shimano (marca japonesa que é um ícone entre ciclistas). Ele cancelou os planos de estudar fora e embarcou na paixão pela magrela.

Por sua vez, Eduardo fazia mestrado em Psicologia Experimental na PUC-SP e atendia na clínica da universidade mas gostava mesmo é de pesquisar sobre bicicletas ou, claro, estar em cima de uma. Chegou um momento em que estava tão envolvido com o veículo que decidiu trabalhar em uma bicicletaria. Dessa pedalada para largar de vez a psicologia foi uma distância curta. Bastou que Rafael o indicasse, em 2012, para uma vaga de consultor na mesma Shimano.

Os dois trabalhavam na empresa já pensando em angariar conhecimento sobre o mercado e montar o próprio negócio. A primeira ideia foi abrir uma loja virtual de produtos encalhados nas distribuidoras. Outra, criar uma marca de bicicletas urbanas, além de uma loja focada exclusivamente no público feminino. Mas o modelo de negócios da Bike123 começou a se desenhar praticamente sozinho, quando eles passaram a observar suas próprias necessidades. Eduardo fala a respeito:

“A gente sentia na pele o drama de quando a bicicleta quebrava ou precisava de manutenção. Era sempre difícil encontrar alguém de confiança”

Ele prossegue: “Comecei a mexer nas minhas bikes porque não confiava nos mecânicos que conhecia”. Além disso usava a sua expertise para, na base da tentativa e erro, descobrir e mapear quem eram e onde estavam os bons técnicos de bicicleta na cidade de São Paulo. Logo, passou a ser o “Google” das boas dicas para a turma que precisava de assistência.

COMO ENTENDER SE O MERCADO EXISTE? PESQUISA-SE

Atenta à essa cena e ciente de que muitos técnicos tinham interesse em ganhar uma grana extra, a dupla começou a pesquisar com mais profundidade as necessidades dessas duas pontas (mecânicos e ciclistas) que viriam a atender na plataforma. O primeiro passo foi disparar dois formulários: um para os mecânicos e outro para os ciclistas, com o intuito de entender os interesses de cada um. “A gente não sabia se as outras pessoas, fora do nosso ciclo, tinham os mesmos problemas”, diz Eduardo.

Com as respostas, perceberam que estavam no caminho certo. Descobriram que havia público para o negócio e que a maioria dos mecânicos estava insatisfeita com o que ganhava nas oficinas e disposta a atender mais gente para complementar a renda. Criaram, então, um site bem simples para começar a cadastrar os interessados e, assim, a Bike123 entrou no ar em 2016. A ideia do nome surgiu porque eles queriam algo curto que evocasse a palavra bike de uma forma simples e fácil de lembrar. “123 é uma sequência universal e que remete a ideia de ‘para já!’ ou de rapidez”, diz o ciclista empreendedor.

Por meio de posts patrocinados no Facebook e Google AdWords, chegaram até os clientes.

“A gente sabia que as lojas físicas ficariam cada vez mais enfraquecidas com o aumento das bicicletas vendidas pela internet. O que poderia salvar esses estabelecimentos era o serviço de manutenção”, prossegue.

Quem compra uma bicicleta online recebe o produto numa caixa. A bicicleta vem desmontada e desregulada e, se a pessoa não tiver muita intimidade com as engrenagens, pode ter dificuldade em montá-la. Por isso, o serviço de delivery de mecânico que vá até a casa do cliente, pegue a caixa e devolva a bicicleta pronta pareceu uma boa saída. “Nosso primeiro objetivo era unir os mecânicos com quem queria comprar uma bike, mas não tinha tempo ou meios de levar até uma oficina para ser montada. Essa foi a principal demanda que tivemos no período de testes”, conta Eduardo.

Projeto aprovado pelas duas pontas, chegou o momento de formar uma base de profissionais. Aos primeiros interessados foi mandado um link para que fizessem o cadastro, o que os sócios acharam que seria um procedimento tranquilo. Porém, a quantidade de dúvidas que recebiam dos mecânicos era enorme e o processo, lento. Eduardo resolveu, então, ir às oficinas acompanhar o cadastramento. Essa também foi uma forma de verificar o que não estava suficientemente claro no site e precisaria de ajustes para tornar tudo o mais simples e intuitivo possível.

Para encontrar mais profissionais, os empreendedores criaram um grupo no Facebook para técnicos de bicicletas – atualmente a comunidade conta com 1 200 inscritos. “Percebemos que há uma carência de informação sobre a área”, conta Eduardo. No grupo, começaram a postar conteúdos sobre a manutenção das bikes para oferecer conhecimento aos interessados que, ao se inscreverem na plataforma, devem enviar cópias dos certificados de cursos feitos, foto da carteira de habilitação e de cinco ferramentas que os sócios consideram fundamentais para oferecer o serviço. Além disso, a dupla checa os antecedentes criminais dos inscritos. Quem ajuda a calibrar o atendimento são os próprios usuários que avaliam a experiência. Segundo os sócios, até o momento, a maior parte dos feedbacks tem sido positiva.

AS CICLISTAS QUERIAM MECÂNICAS. ELES FORAM EM BUSCA DE FORMAR TÉCNICAS

Em uma das muitas pesquisas que fizeram, os fundadores constataram que 30% dos clientes eram mulheres, porém 100% dos técnicos são homens. Resolveram conversar com as ciclistas para saber o que elas pensavam dos serviços oferecidos de maneira geral e não apenas os da Bike123.

“A maioria das ciclistas achava o ambiente de uma bicicletaria ou loja hostil e que quase sempre eram atendidas por homens que as tratavam de um jeito infantilizado”

Elas também afirmaram ter dúvidas se o serviço que precisava ser feito na bicicleta seria mesmo executado. Diante dessa realidade, os sócios procuraram uma parceria com a Escola Park Tool para oferecer bolsas de estudos integrais para dez mulheres interessadas em fazer um curso profissionalizantes de mecânica de bicicleta e se tornarem futuras técnicas. A maioria das interessadas era de fora de São Paulo, porém todas saíram das aulas certificadas e, em breve, quatro delas vão estar cadastradas na Bike123 para oferecer serviços em suas cidades. Após essa iniciativa, a escola abriu um curso exclusivo para mulheres e os sócios já pensam em fazer uma nova edição da bolsa de estudos, porém, contam que precisam de patrocínio para isso.

As dez técnicas formadas no curso da Bike 123 em parceria com a Escola Park Tool para inserir mais mulheres nesse mercado.

Atualmente o site conta com 12 mecânicos e são eles quem precificam seus serviços. De acordo com os sócios, os técnicos, por conta própria, acabaram tabelando os preços e seguindo uma média de valores, que variam de 50 a 200 reais, dependendo do tipo de atendimento (a revisão custa por volta de 150 reais, enquanto a revisão “premium” sai 200 reais). Do que cobram, a Bike123 fica com 20%.

O investimento inicial para fazer o negócio rodar foi de 25 mil reais e, hoje, embora a empresa ainda não dê lucro para manter os dois sócios, pelo menos, já se paga. Eduardo é quem fica 100% do tempo focado em resolver problemas e melhorar a experiência dos clientes. “No começo, a gente acreditava que era fundamental conseguir entrar para uma aceleradora. Mas ficar participando desses processos desviava nosso foco. Para crescer, a gente precisa rodar. Por isso, estamos focados na operação do nosso sistema no momento”, diz.

O excesso de foco na empresa, no entanto, fez com que Eduardo deixasse um pouco a vida pessoal de lado. “Aprendi que precisa ter um tempo de trabalho e também o meu tempo.” Agora, ele tira duas vezes na semana um período para pedalar e fazer exercícios. Antes, como ia e voltava do trabalho de bike, a atividade  física estava incorporada à sua rotina. Hoje, trabalhando de casa, precisou encontrar um momento para isso.

Detalhes revisados e alinhados, Eduardo e Rafael buscam expandir a área de atuação. Atualmente, o site registra um média de 30 atendimentos mensais em toda a capital mais a região do ABC. Desde de meados do ano passado, perceberam que havia uma demanda no interior paulista. Hoje procuram por mecânicos em Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, São José dos Campos e Sorocaba. E seguem pedalando para que mais pessoas desfrutem com segurança do prazer de andar de bicicleta.

DRAFT CARD

Draft Card Logo

  • Projeto: Bike123
  • O que faz: Manutenção de bicicleta para ciclista em formato delivery
  • Sócio(s): Rafael Taleisnik e Eduardo Matsuoka
  • Funcionários: 12 técnicos cadastrados
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2016
  • Investimento inicial: R$ 25.000
  • Faturamento: 30 atendimentos, em média, por mês
  • Contato: contato@bike123.com.br ou (11) 98935-1534
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CONTEÚDO Novidades São Paulo Review Web

Marilá Dardot: uma artista entre os livros

Entrevista com a artista Marilá Dardot para o site São Paulo Review.

* Por Karina Sérgio Gomes *

A artista visual Marilá Dardot cresceu entre livros. Nascida em Belo Horizonte, o pai da mineira foi o maior incentivador para que ela se interessasse por literatura. O amor pelas palavras fez com que as frases, versos, letras e livros entrassem de forma natural na sua arte. Depois de uma primeira formação em Comunicação Social, Marilá foi estudar artes visuais na Escola Guignard, em 1997. Percebeu que estava pela primeira vez diante de um trabalho que reconhecia como uma obra, quando realizou “O livro de areia”, de 1999, inspirado no conto homônimo do argentino Jorge Luís Borges. “Foi a primeira algo que me fez pensar: ‘isso aqui é o meu trabalho’”. Desde então, as palavras, a literatura e os livros não saíram mais do repertório visual dessa artista que aprecia também a fisicalidade do objeto e não gosta de ler PDF.

Atualmente, Marilá vive em Portugal. Um dos dramas de trocar de país por tempo indeterminado foi se separar da sua biblioteca. Nessa entrevista para a São Paulo Review, a artista conta sobre a sua relação com a literatura e diz que considera os autores com os quais trabalha seus colaboradores.

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Antes da sua formação em artes visuais pela Escola Guignard, você se formou em Comunicação Social. Fale um pouco sobre essa primeira formação. 

Quando saí da escola, não tinha um caminho claro do que queria fazer. Cheguei a prestar vestibular para artes plásticas na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), mas, na época, você fazia primeiro um teste de aptidão e eu não passei. Também não sabia se queria ser artista. Porém, passei na minha segunda opção, que era Comunicação Social. Cheguei a fazer um semestre de jornalismo, mas vi que não era isso. Então, passei para Rádio e TV. Provavelmente, se eu não tivesse feito comunicação antes, aos 18 anos, eu não teria me tornado artista. Naquela época, eu não tinha maturidade para desenvolver um trabalho próprio. Enquanto eu estudava Comunicação Social, pude fazer algumas matérias na Faculdade de Filosofia, outras na Letras. Tive aulas de semiótica que foram superimportantes. Depois que eu me formei, comecei a trabalhar com publicidade. E logo vi que não queria aquilo para minha vida. Foi quando entrei para Escola Guignard, já com uma bagagem tanto de vida quanto de teoria.

De onde vem o seu interesse pela literatura? 

A literatura sempre fez parte da minha vida. Sempre fui leitora. Meu pai, que era arquiteto, gostava muito de ler e me dava muitos livros. Toda semana me trazia um. Eu comecei a ler muito por causa dele. Às vezes, ele estava lendo um livro e me contava a história adaptando para o universo infantil.

Como a literatura entrou para o seu trabalho de arte? 

Em 1999, tinha acabado de sair o Diário da Frida Khalo (da editora José Olympio). Nessa época, ficou muito em alta o livro de artista, mas sabia que aquilo eu não queria fazer. Nesse mesmo ano, a partir do conto “O livro de areia”, de Jorge Luís Borges, fiz um livro feito de espelhos e dei o mesmo nome. Foi a primeira arte que fiz algo que me fez e pensar “isso aqui é o meu trabalho”. E ele condensa questões que vão permear minha obra no futuro: além da literatura, a participação do espectador.

Você entende a releitura de um livro para uma obra de arte como uma adaptação para o cinema? 

Gosto de pensar como um diálogo. Mais do que uma adaptação, acredito que seja uma colaboração. Eu considero um pouco esses autores como colaboradores. É um diálogo com aquela obra. Com o que ela me fez querer dizer, para aonde que ela me leva, o que que ela suscita. Eu não estudei literatura, é uma relação de leitora, mesmo quando eu uso obra de filosofia. Mas eu acho que são sempre usos atrevidos sem nenhuma pretensão acadêmica. O trabalho reflete mais as minhas sensações quanto leitora.

Não apenas a literatura faz parte do seu trabalho, mas o livro como um objeto também está muito presente. Comente um pouco sobre essa sua relação com esse objeto. 

Gosto do objeto livro, não gosto de ler PDF. O começo da minha biblioteca foi com alguns livros roubados da biblioteca dos meus pais e outros comprados em sebo, que trazem a história do objeto. Eles têm marcas de leitura, coisas encontradas. Esses itens encontrados inspiraram o trabalho “Sebo”, feito em parceira com o artista Fábio Morais. O livro aparece no meu trabalho também como um objeto escultórico, como em “Terceira margem” (2007) e “Volta ao dia em 80 mundos” (2013) “O livro das mil e uma noites” (2014). Quando fiz uma residência em Viena, foi a primeira vez em que fiquei um tempo em um lugar em que eu não falava a língua. Eu visitava os sebos e achava os livros lindos, mas não tinha a mínima ideia do que estava escrito. Porém achava linda a paleta de cor. E comecei a ficar fascinada. Todas as vezes que viajo para algum país em que desconheço o idioma, eu sempre vou atrás dos livros antigos, em sebo, para saber se a paleta de cor muda, como são as guardas. Quando fui para a Eslováquia, que tem uma grande tradição de desenho de animação, percebi que as guardas eram superilustradas. Eu comecei a perceber que o design dos livros traduziam uma cultura. Essa pesquisa resultou na série “Minha Biblioteca” (2014-2018).

Você disse em uma entrevista que o seu processo de criação é um tanto caótico. Em geral começa com uma imagem ou com uma palavra? 

Às vezes, é um texto ou um livro. Às vezes, é da obra mesmo. Para o Parque das Esculturas, em Londres, eu queria fazer esse um muro de espelho com uma frase transparente, que atravessasse o espelho revelando a paisagem por detrás dele. Então, veio primeiro a imagem do trabalho para esse lugar em específico. Fui à minha biblioteca e peguei um livro de poemas da Patti Smith. O livro tinha um post-it. Na página marcada, li a frase: “the landscape is moving”. O verso era exatamente o que eu queria colocar no muro (de 2013, que leva o mesmo nome). Talvez eu tenha criado o trabalho a partir daquela frase sem saber e, no final, as coisas se juntaram.

Você já pensou em escrever um livro ou se dedicar à escrita? 

Em alguns trabalhos escrevo um pouco. Mas nunca pensei a sério nisso. Quando eu fazia comunicação, cheguei a escrever uns contos. Sempre gostei muito de escrever cartas. No caso das minhas cartas, eu escrevo com uma preocupação estética da escrita. Com o desejo de que ela cause uma recepção estética, como se a forma pudesse provocar uma reação. A editora Par(ent)esis editou em 2009 um livro de cartas trocadas entre mim e Fabio Morais, o “blá blá blá”. Eu e Fabio também temos um trabalho em video, o “Correspondência”, de 2008, em que trocamos “e-mails” datilografados A gente parou de escrever cartas, é uma coisa que vem se perdendo. Hoje, a gente manda Whats’app. O emoji é tudo que abomino. É a maior massificação de qualquer sentimento. As sutilezas e a subjetividade da escolha das palavras não existem num emoji. Estou lendo o livro Cartas a los Jonquières, do Cortázar, que reúne suas cartas à família Jonquières desde quando ele foi morar na França, em 1950. São cartas em que descobrimos sobre seus processos de trabalho, lemos trechos de contos, o nascimento dos cronópios, observações sobre exposições que visitou, mas também falam de assuntos práticos e corriqueiros: listas de livros para comprar, questões que envolvem dinheiro.

Você sublinha seus livros e faz marginalizas? 

Não, eu não rabisco livros. Eu sempre coloco post-its.

Porém no trabalho “Avant et après la lettre”, você picota os livros. 

Para esse trabalho eu escolhia livros sem valor literário, abandonados em sebos, que não me provocavam pudor em destruir. Mas, de certa forma, este trabalho anuncia um pouco um distanciamento da minha obra da minha biblioteca, dos meus autores admirados, para outras narrativas, como os discursos da mídia impressa.

Você está morando em Portugal. Como é viver longe da sua biblioteca? 

Na primeira viagem, eu trouxe apenas cinco livros. Aí, todas as vezes que vinha do Brasil, trazia mais alguns de filosofia e mais alguns autores que eu não consigo viver sem, como Roberto Bolaño, Julio Cortázar, Jorge Luis Borges, Murilo Mendas, Ana Cristina César, Manoel de Barros… Mas a biblioteca vai crescendo com os livros que vou comprando por aqui. Agora o problema vai ser voltar com os livros.

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CONVERSAS #3: MARIANA ROTILI

Desde o tempo de fotolog, acompanho as fotos da Mariana Rotili. Nessa época, ela era adolescente e editava suas imagens no power point. Mas o talento para extrair as imagens do mundo já era visível. No princípio dos anos 2000, a Mari nem pensava em ser fotógrafa. O sonho de ser jornalista foi o que nos uniu.

No entanto, como uma boa aquariana, com ascendente em peixes, ela se deixou levar pelas águas e perdeu o jornalismo de vista. Já eu, como uma sagitariana, com ascendente em signo de terra, segui meu caminho como um cavalo com tapadeiras que não olha nem para o lado.

Porém, se o jornalismo, a história e outros sonhos foram ficando pelo caminho, a fotografia perseguiu a Mari por todas as águas em que ela navegou e que a levaram para o teatro. E eu, mesmo de longe, segui a acompanhar. Agora venho divulgar para vocês o trabalho lindo dessa artista no terceiro episódio de CONVERSAS.

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Documentário dá merecido destaque ao talento da escultora Maria Martins

[Colaboração para o site Mulher no Cinema]

No hall de um cinema paulistano, minutos antes da pré-estreia de Maria: Não Esqueça que Venho dos Trópicos, o que se ouvia era: “aquela que foi amante do Duchamp”. Esta é uma das poucas informações (quando não a única) que a maioria das pessoas conhece sobre a escultora Maria Martins (1894-1973), tema de documentário que estreia nesta quinta-feira (16).

No entanto, a artista foi muito mais. Sua escultura traz ineditismos e um frescor nos temas referentes ao desejo e ao sexo feminino que foram pouco explorados em obras da época. Além do bronze, foi uma personalidade importante nos bastidores de grandes instituições de arte e chegou a entrevistar o líder chinês Mao Tsé-Tung (1893-1976). Por isso e pelo enorme talento ainda pouco divulgado de Maria Martins, e neste momento em que discutimos o papel das mulheres do mundo, o documentário de Francisco Martins e Elisa Gomes se faz necessário.

A vida da artista é reconstituída por meio de entrevistas com críticos, pesquisadores e curadores brasileiros e estrangeiros, leitura de livros, cartas e entrevistas, falas de conhecidos e familiares da artista. Da infância ao primeiro “escândalo” – o fim de seu primeiro casamento com o historiador Octávio Tarquínio de Sousa (1889-1959), em 1920, para se casar com o embaixador Carlos Martins (1884-1965), o que lhe custaria a guarda de sua primeira filha e lhe daria liberdade para ser artista -, o longa trata ainda do contato inicial de Maria com a escultura; sua influência nos bastidores nas curadorias das duas primeiras Bienais de São Paulo e também para a concepção do acervo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; a construção das obras públicas que realizou em Brasília e, claro, seu relacionamento com Marcel Duchamp (1887-1968).

Sendo Maria tão influente e nascida no mesmo ano – 1894 – do célebre escultor modernista Victor Brecheret, por que não se estuda o trabalho da artista nas aulas de arte nas escolas? Porque, como diz a curadora e pesquisadora Verônica Stigger, a escultora “correu pela margem”. Quando veio para o Brasil com suas obras sobre mitos da Amazônia, os artistas brasileiros já estavam navegando contra a ideia de identidade nacional. O maior crítico daquele momento era Mário Pedrosa, que dizia que o grande problema de Maria era ter personalidade demais.

No entanto, em Nova York ela expôs ao lado de grandes nomes, como Piet Mondrian (1872-1944). Durante o período em que morou nos Estados Unidos, teve uma intensa e frutífera relação com Marcel Duchamp. A artista não só serviu de modelo para Étant donnés, a última e uma das célebres obras do pai do ready made, como era sua fonte de inspiração e uma importante interlocutora: trocava com ele informações sobre arte e técnicas de escultura.

Se Maria era esse personagem estranho no cenário da arte brasileira, os diretores também inseriram no documentário um elemento desconectado. Depois de cenas de arquivo em que a própria Maria Martins aparece, quem surge é a atriz Malu Mader. Aí, você se pergunta: por quê? Por quê? Por quê? Porque ela quis.

Durante o lançamento do livro Maria, da Cosac Naïfy, em 2010, a atriz descobriu que havia uma artista plástica que era sua xará. Quando entrou em contato com a família da escultora, pedindo para fazer algum projeto, o documentário já estava em produção. Pois ela entrou no comboio e sentou na janelinha. Para brasileiros que conhecem mais a Maria de Lourdes Mader do que a Maria de Lourdes Martins, ficam algumas interrogações: o que ela está fazendo no filme? Será que é parente? Será que fez alguma grande descoberta? Será que também é escultora? Não, ela está lá apenas porque quis participar.

O bom é que a atriz não aparece muito, e a vida e a obra de Maria Martins se sobressaem nos 81 minutos. De acordo com a biógrafa Graça Ramos, a artista é como um lusco fusco: ora aparece, ora some do cenário das artes e da cultura nacional. Espera-se que, com esse documentário, a escultora entre de vez para a história com o devido destaque. Como diz o crítico e curador Paulo Herkenhoff, foi ela quem fez a escultura mais radical no Brasil do século 20, e sua obra trata de temas como a nudez e a sexualidade muito antes da escultora francesa Louise Bourgeois (1911-2010).

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Jackie

Entre os filmes do Oscar de 2017 na Netflix, vejo todo mundo recomendar Lion, Moonlight e poucos falam de Jackie. Eu demorei para encarar o filme novamente por conta de uma cópia pirata mal-feita que tinha visto. Mas enfrentei o longa no fim do domingo.

PUTAQUEPARIUQUEFILME. Não é só a Natalie Portman que está incrível, mas o longa tem um baita roteiro, trilha sensacional, uma fotografia incrível tanto nas cenas de ficção quanto nas de reconstituição de fatos reais. Tudo encaixado perfeitamente em 1h30. Por um mundo com mais filmes poderosos e curtos!

Eu tenho fascínio por vidas de primeiras-damas. Porque elas podem parecer apenas acessórios de homens poderosos, mas em geral são peças tão fundamentais quanto e se revelam personagens mais interessantes. Se hoje à noite você tiver uma 1h30 sobrando, veja esse filme, antes que ele saia do catálogo da Netflix.

 

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Lembrei que esqueci

Amelia Toledo nos deixou na última terça-feira (7/11/2017), mas ficamos aqui na Terra com suas incríveis obras. Lembrei que esqueci, retrospectiva no CCBB, traz trabalhos que sintetizam o pensamento da artista.

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Se João Cabral dizia que “Para aprender da pedra, frequentá-la”, Amelia fez isso com primazia e nos dá essa oportunidade em “Caverna”, proporcionando ao espectador que frequente quartzos, ametistas e formas rochosas.

A mostra traz ainda as incríveis pinturas e gravuras da artista, que foi aluna de Anita Malfatti, de onde já dá pra perceber os interesses e pesquisas de cor e forma de Amélia que se desdobram nas instalações interativas.

Corre lá: Lembrei que Esqueci, CCBB, R. Álvares Penteado, 112, Centro, tel. 3113-3651. Seg. e qua. a dom.: 9h às 21h. Até 8/1. Livre. GRÁTIS.
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Conversas episódio #1

Finalmente chegou o dia em que saí com câmera, tripé e microfone nas mãos, muitas ideias na cabeça e alguma intrepidez para entrevistar mentes criativas sobre seus processos e trabalhos.

CONVERSAS é um projeto que venho fomentando há muito. O objetivo é um papo aberto com pessoas de mentes inquietas sobre seus trabalhos e processos criativos. Uma forma de compartilhar conhecimento e exercitar meus traquejos com vídeo e jornalismo cultural.

Nesse primeiro episódio, a jornalista e escritora Rosangela Petta dá uma aula sobre o ato de escrever. Se eu fosse você, não deixaria de assistir. Depois me conta o que achou e, se gostou, dá um like e compartilha nas redes. 😉

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Como decorar a sua casa com um toque de estilo escandinavo

Conteúdo para site da arquiteta Alessandra Delgado.

A decoração escandinava é a queridinha da vez. Importada dos países nórdicos, como Dinamarca, Suécia e Noruega, o estilo prioriza a regra do “menos é mais”. Os ambientes precisam ser claros, de preferência com enormes janelas. O branco deve reinar nas paredes e também predominar tanto no teto quanto no chão. A presença de madeiras claras, com cantos arredondados, e alguns pontos de cor completam as características do estilo, que combina perfeitamente com móveis da nova linha da designer Alessandra Delgado. Confira como algumas peças da coleção podem dar o toque escandinavo na sua casa.

Madeiras claras e naturais

Embora o metal seja o centro dessa nova coleção, em algumas peças a designer trabalhou com a madeira, respeitando suas formas orgânicas. Tanto para a mesa Planos quanto para o banco Construção, Alessandra usou o cinamomo, cuja cor clara combina muito com a decoração escandinava.

Para destacar ainda mais as características originais da madeira de reflorestamento, a designer explorou um verniz de acabamento fosco, que realçou o que havia de mais bonito em cada peça. Essa busca pelo aspecto natural está muito presente em uma casa desse estilo.

Minimalismo e conforto

Outra característica em comum entre o estilo e as novas peças de Alessandra é a simplicidade e o minimalismo. O predomínio das linhas retas e elegantes do banco e da mesa combinam perfeitamente com o ambiente escandinavo.

Amantes do estilo nórdico também optam por tecidos claros e com toque mais natural, o que conversa muito bem com a chaise da nova coleção. A peça transmite a sensação de conforto e o tecido é gostoso ao toque.

Todas os móveis da nova linha já estão disponíveis na Girona Design.

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3 dicas sobre como combinar padrões de MDF e MDP

Você sente dificuldade em combinar padrões de cores diferentes no seu projeto? Isso é normal. Afinal de contas, são muitas as possibilidades e tanto o cliente quanto você querem o melhor resultado. Não existem regras certeiras para a combinação de padrões, e sim caminhos que sempre funcionam. Ao considerar unir mais de um padrão, você pode obter um resultado surpreendente e diferente do comum. Conversamos com a arquiteta Patricia de Palma, do escritório SP Estúdio, que tem vários projetos realizados com mais de um padrão Masisa. Confira as dicas da profissional e veja as fotos!

Dica 1 – Evite usar mais de um padrão amadeirado por ambiente

Escolha um tom de madeira e depois trabalhe com cor ou tons neutros para equilibrar a composição, sem deixar o ambiente pesado. No caso de tons mais escuros, como o Castanho, opte por combinar com ChamoisHunter ou Cafelatte. Amadeirados mais claros conversam bem com paletas neutras. Madeiras de tom mel, como podem se juntar tanto com padrões neutros quanto com coloridos. É o coringa das combinações.

Dica 2 – Escolha uma base neutra

Ao se trabalhar com cores, escolha uma base neutra, como o Linho. “Procure saber o que você quer destacar no projeto e dê cor para aquilo que é importante”, indica Patrícia. “Toda cor transmite uma informação”, completa. Tons de vermelho, como o Rubi, por exemplo, costumam ser estimulantes, pois transmitem mais energia. Um quarto todo vermelho, porém, talvez não passe a sensação de tranquilidade que uma pessoa precisa para dormir. Use a cor para destacar uma peça ou um detalhe do ambiente.

Dica 3 – Considere a iluminação natural do espaço

Sempre que for escolher uma cor para um móvel, leve em consideração a quantidade de luz natural do espaço. Tons muito escuros dão a impressão de que o espaço é menor. No caso da combinação de cores em padrões de MDF e MDP, esse aspecto é ainda mais importante: defina uma base clara para aumentar a sensação visual de espaço e aplique as cores nos locais com maior incidência de luz.

Crédito das fotos: SP Studio/Divulgação