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CONTEÚDO Novidades Revista da Gol

Pixels originais

As NFTs estão movimentando o mercado com a venda de obras digitais. Telas, músicas, memes e outros arquivos virtuais encontram compradores que pagam altas quantias para ter o que todo mundo acessa gratuitamente na rede.

Reportagem edição Outubro/Novembro 2021 da revista GOL. Veja a matéria completa:

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CONTEÚDO Conteúdo Customizado Conteúdo para Marcas Editora MOL Livro Novidades

Gente que usa óculos

Redação de perfis de 30 personalidades que têm a imagem muito ligada a esse acessório, como o Mahatma Gandhi, o Elton John, a Marília Gabriela e a Rita Lee. Feito em parceria com a Editora MOL e a Óticas Carol.

O livro traz, para cada celebridade, uma minibiografia e detalhes sobre seu modelo de óculos mais marcante. 💙Assim, você entende a mensagem por trás de cada tipo de armação e lente, e pode escolher o que mais combina com sua identidade. Incrível, né?

E tem mais: esse projeto tão especial vai doar R$ 45 mil para a Amigos do Bem (@amigosdobem), ONG que desenvolve projetos de educação, geração de renda e acesso
à água, moradia e saúde no sertão nordestino. ✨Para garantir o seu, procure a Óticas Carol mais próxima ou compre na @bancadobem.

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CONTEÚDO Conteúdo Customizado Conteúdo para Marcas Editora MOL Livro Novidades

A Idade da Liberdade

Pesquisa e redação de perfis para o livro A Idade da Liberdade, feito em parceria com a Editora MOL e o laboratório Libbs.

A publicação conta histórias inspiradoras de mulheres que na menopausa encontraram uma força incrível para ser mais feliz. Elas mostram que a menopausa é o momento perfeito para olhar mais para dentro, redescobrir desejos e investir a potência da maturidade em caminhos que possam levar a uma existência mais plena e equilibrada.

Sempre é tempo de ser feliz e encontrar a liberdade!
E como todas as publicações da MOL, o livro gera doações! A ONG beneficiada é o @institutorme, que trabalha para que mais mulheres tenham poder de decisão sobre suas vidas e seus negócios. Inspirador, né? Já doamos R$ 20 mil ao Instituto RME.🎉 Compre o seu exemplar na @bancadobem e aumente esse número.

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Curadoria Curadoria & Pesquisa Novidades

Exposição Ratos e Urubus

[Assistente de curadoria dos curadores Thais Rivitti e Carlos Eduardo Riccioppo]

No Carnaval de 1989, há exatos 30 anos, o enredo da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, de Joãosinho Trinta, levava o nome “Ratos e urubus, larguem minha fantasia”. O carro abre-alas do desfile era uma alegoria do Cristo Redentor, monumento-símbolo da cidade do Rio de Janeiro, que ali aparecia como um “Cristo Mendigo”. O carro foi proibido pela Igreja de desfilar e saiu na avenida coberto por sacos de lixo, trazendo faixa na qual se lia: “Mesmo proibido, olhai por nós”. A escola levou o segundo lugar naquele ano, e durante o desfile das campeãs o carro do Cristo Mendigo foi descoberto, revelando ao público a escultura que estava escondida. 

Ver eclodirem de modo tão evidente as relações entre a formação social e política, da violência urbana à exclusão, e uma vontade de formulação de uma imagem alegórica, estética, do país levou a que esta mostra tomasse o desfile como mote. Assim, convidamos artistas para apresentar obras que de algum modo pudessem pensar, em conjunto, todas as questões que, postas tanto para as artes visuais quanto para o Carnaval, fossem capazes de propiciar uma ocasião de repensar as pontas soltas que as definições de uma cultura urbana brasileira têm deixado ao longo de todo o século passado até a atualidade.

Há muito o Carnaval surge como interesse do campo das artes plásticas ou visuais no Brasil, embora seja tratado no mais das vezes como um momento de invenção estética paralelo à produção moderna e contemporânea da arte. São muitos os assuntos que ambas as expressões culturais compartilham: em primeiro lugar, a vontade de uma produção de imagem síntese do país, o que a ideia de alegoria mobiliza; depois, a constituição de um trabalho coletivo, de manejo de gostos que variam do erudito ao popular, ao kitsch e ao pop; uma vontade de escala pública para a cultura; as questões de manualidade envolvidas no fazer artístico; a busca de modos de estabelecimento de narrativas ou de novas narrativas sobre a história do país. Para não mencionar, é claro, as próprias ideias de parada, desfile e exibição, que se envolvem nas tentativas de formular uma estética que possa ser própria a uma cultura brasileira.

Os artistas que integram a presente exposição relacionam-se de diversos modos com o desfile de 1989 – seja criando uma imagem alegórica para o Brasil de hoje, seja testando a atualidade das afirmações de Joãosinho Trinta, apostando na “obra” como construção coletiva, utilizando um modo improvisado e precário – mas altamente inventivo e poético – de construção e registro, ou mesmo aludindo a esse instante efêmero de gozo que é o Carnaval. 

Agradecemos a todos os que nos ajudaram a realizar esta exposição, em especial aos artistas que, junto conosco, se dispuseram a fazer frente ao cenário devastador que a arte e a cultura vivem neste momento histórico. 

Thais Rivitti e Carlos Eduardo Riccioppo (curadores)

Veja o catálogo da exposição aqui

 

 

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Curadoria & Pesquisa Enciclopédia do Itaú Cultural Novidades Pesquisa

Beatriz Lemos

[Pesquisa e redação de artigo para a Enciclopédia Itaú Cultural]

Beatriz Lemos (Niterói, Rio de Janeiro, 1981). Pesquisadora e curadora. Destaca-se por pesquisar a cena artística contemporânea da América Latina e seus pontos de contato com o Brasil. Nessa articulação, investiga questões anticoloniais, de gênero e raça.

Ao matricular-se no curso de educação artística, com habilitação em história da arte, em 2001, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Beatriz Lemos planeja dar aula de arte. No segundo ano da faculdade, entretanto, começa a estagiar no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói, na área de documentação e seus planos de docência ficam para trás. O interesse pelo documento e pela pesquisa floresce e permeia toda sua produção.

Ainda na graduação, é atraída pela arte contemporânea da América Latina. Percebe que, no Brasil, há pouca informação sobre o que acontece nos países vizinhos. Em 2005, antes de terminar a faculdade, dá início ao projeto Lastro – Intercâmbios Livres em Artes, com o intuito de realizar residências em países da América Latina para conhecer a produção contemporânea além das fronteiras brasileiras. Com editais e chamamentos públicos, Beatriz consegue realizar viagens para Argentina, Bolívia, Chile e Colômbia. Durante essas residências, atua como articuladora, tecendo possíveis conexões entre o Brasil e os países vizinhos.

Entrevista diversos artistas e agentes culturais por onde passa, além de visitar museus, galerias e espaços independentes de arte. Na programação, sempre deixa um espaço reservado para realizar uma oficina ou palestra em que fala sobre a cena brasileira e, desse modo, promover o intercâmbio cultural. Essa experiência é tema de sua pesquisa de mestrado em História Social da Cultura, na Pontifícia Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), defendida em 2013. Na dissertação Lastro – Intercâmbios Livres em Arte: Mobilidade na Arte, Seus Fluxos, Agentes e Reverberações, Beatriz explica a experiência nas atividades promovidas nos países da América Latina. Um dos resultados desses contatos é a criação da plataforma Lastro, que reúne trabalhos de diversos artistas latino-americanos e serve como fonte de pesquisa.

Além das ações com o Lastro, Beatriz trabalha durante oito anos no arquivo da artista Márcia X (1959-2005). Da catalogação de documentos e obras resulta a publicação de dois volumes de textos e fotos do trabalho da artista e na grande retrospectiva Márcia X – Arquivo X, realizada em 2013, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, para onde é doado o espólio da artista.

Após a primeira década do projeto Lastro, Beatriz propõe viagens coletivas e expande seu raio de circulação para a América Central. Durante cinco meses, encontra-se com artistas e curadores em determinados países e cidades para realizarem suas pesquisas. Doze artistas e três curadores participam da expedição e passam por Guatemala, Panamá e México. A viagem resulta na exposição Lastro em Campo (2016), no Sesc Consolação, em São Paulo. Essa experiência reforça o interesse da curadora pelo trabalho descentralizado, no qual as decisões são tomadas de forma horizontal.

Antes de se mudar para São Paulo, Beatriz trabalha no Parque Lage, onde inaugura o Centro de Documentação e Pesquisa, em 2016. O intuito é transformar a biblioteca em um espaço ativo da instituição, promovendo eventos como rodas de conversa e lançamentos de livros.

O segundo projeto de residência coletiva acontece em 2017, com uma viagem de dois meses pela Bolívia. Beatriz viaja com a curadora Catarina Duncan e mais oito artistas. Os trabalhos e executados na residência fazem parte da mostra Travessias Ocultas – Lastro Bolívia (2018), no Sesc Bom Retiro, em São Paulo.

Em 2017, Beatriz fixa residência em São Paulo. A mudança fomenta a necessidade de abrir novas frentes com o Lastro. Em busca de um local para montar uma biblioteca, formada nas viagens pela América Latina, negocia um espaço com a Oficina Cultural Oswald de Andrade. Além da catalogação e disponibilização dos livros para a pesquisa, propõe uma programação de encontros para estudar questões sobre migração. Assim nasce o Grupo de Estudos Lastro, cuja bibliografia é focada em autores da América Latina e textos que exploram questões anticoloniais.

O trabalho de Beatriz Lemos tem forte ligação com a pesquisa e o estudo. Seu interesse em conhecer os artistas latino-americanos faz com que ela se aproxime de narrativas decoloniais, traçando paralelos entre entre os contextos e a cultura brasileira com os demais vizinhos. Questões de gênero e raça também atravessam seus estudos e projetos curatoriais, como na mostra Textão (2018), pensada em parceria com as plataformas Explode! e Lanchonete.org, para o Museu da Diversidade Sexual, da qual participam 50 artistas.

Beatriz Lemos explora a diluição das fronteiras, sejam elas geográficas, culturais ou mesmo artísticas, fazendo seleções menos ortodoxas em suas curadorias, misturando literatura, música e trabalhos plásticos em suas escolhas.

 

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Curadoria & Pesquisa Enciclopédia do Itaú Cultural Novidades Pesquisa

Leda Catunda

[Pesquisa e redação de artigo para a Enciclopédia do Itaú Cultural]

Leda Catunda (São Paulo, São Paulo, 1961). Artista Visual, pesquisadora e professora. Uma das expoentes da Geração 80, explora em seu trabalho questões referentes à representação das imagens e ao universo pop.

Formada pela Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), em São Paulo, Leda é aluna de Regina Silveira (1939), Nelson Leirner (1932)e Julio Plaza (1938-2003). Durante a formação, se aborrece por ter de desenhar tanto a pedido dos professores e parte, então, em busca de desenhos já disponíveis no mercado.

Entre seus primeiros trabalhos estão as Vedações (1983). Nessa série, a artista se apropria de tecidos estampados, em geral figurativos, e apaga algumas informações com tinta, recriando a estampa. Utiliza-se conceitualmente da pintura: pincel e tinta servem para destacar, apagar, recriar ou criticar um mundo já coberto de imagens. Como tela, utiliza objetos aparentemente banais encontrados em regiões de comércio popular, como flanelas, cortinas de banheiro, cobertores, toalhas e tecidos, em geral usados em ambientes domésticos.

No ano seguinte, ainda recorrendo a materiais disponíveis no mercado, Leda realiza pinturas mais figurativas, como Aquário (1984). Nela, apropria-se das imagens de peixes de uma cortina de plástico para pintar uma caixa de vidro em volta do cardume. A artista chama esses trabalhos de pinturas-objetos.

De acordo com Leda, o interesse pelo universo popular e kitsch vem da ausência desse repertório na casa dos pais. Filha de arquitetos, a residência em que mora na infância é decorada com poucos objetos e, em geral, com design planejado. É a casa da avó portuguesa que desperta o interesse da artista por elementos populares e artesanais de decoração, como toalhas de crochê. O repertório visual começa a se formar nos passeios com a avó pelo comércio popular no largo de Pinheiros, em São Paulo.

Ainda no começo da carreira, a pintura de Leda (como a de outros artistas dos anos 1980) chama a atenção dos principais críticos, galeristas e curadores da época. Em 1983, com apenas 22 anos, participa da mostra coletiva Pintura Como Meio, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP), ao lado dos artistas Ciro Cozzolino (1959), Sergio Romagnolo (1957), Ana Maria Tavares (1958) e Sérgio Niculitcheff (1960), com curadoria de Aracy Amaral (1930). Para a curadora, o talento e o frescor da produção desses jovens está na forma contemporânea de usarem a pintura, buscando suportes menos usuais do que a tela emoldurada e destacando na parede materiais menos nobres, como o “pano”.

No ano seguinte, Leda participa da icônica exposição Como Vai Você, Geração 80?, que faz um balanço da produção de 123 artistas da época no Parque Lage, no Rio de Janeiro. Recém-saída da faculdade, ainda nos anos 1980, expõe trabalhos na I Bienal de Havana (em Cuba) e nas XVII e XVIII bienais de São Paulo.

No final dos anos 1980, começa a se distanciar do trabalho figurativo, procedimento que ganha força na década seguinte. Nas obras abstratas, a textura e a estampa do material continuam presentes, mas explora formas geométricas, como na produção apresentada na exposição individual na Galeria São Paulo, em 1992.

Durante essa década, Leda cria o que chama de pintura-instalação, isto é, obras com maior volume e dimensão. As formas geométricas adquirem aparência abstrata, como em Siameses (1998). Essa fase é simultânea à pesquisa de mestrado desenvolvida na Escola de Comunicação e Artes (ECA), que recebe indicação ao doutorado direto, defendido em 2003. Na tese, Leda pesquisa a “poética da maciez”, em que estuda sua produção e de outros artistas que exploraram o uso de formas amolecidas. Em 2014, essas estruturas macias passam a dar espaço a materiais mais duros, quando a artista realiza , considerada sua primeira escultura, feita em madeira, em que explora a imagem de fórmicas que imitam madeira.

A partir dos anos 2000, aplica imagens fotográficas às pinturas. Primeiro, utiliza fotos de seu acervo pessoal, com amigos e familiares, como em Todo Pessoal (2006). Depois, apropria-se de imagens enviadas por amigos ou encontradas na internet. Com o fenômeno das redes sociais, as fotos postadas pelos usuários entram para seu repertório, como em Mar Linda (2016), em que usa fotos do perfil de uma jovem. Essa obra faz parte da exposição I love You, Baby, em 2016, no Instituto Tomie Ohtake. Nela, apresenta pinturas que trabalham com o que chama de “consumo afetivo”, explorando o uso de logomarcas e imagens de desejo, como de paisagens de férias na praia.

A obra de Leda Catunda se pauta pelo uso de imagens, tecidos e estampas disponíveis a todos. Como ela própria costuma dizer: “gosto de gostar do que os outros estão gostando”1. Atenta ao comportamento das pessoas a sua volta, ao que estão vestindo e fazendo, a artista capta essas referências, transformando-as em matéria-prima para seu trabalho, sem perder o tom de crítica e acidez, que se acentua em seu universo almofadado e colorido.

Nota

1. Entrevista de Leda Catunda ao programa programa “Quadro por Quadro”, da revista Vogue, durante a exposição O Gosto dos Outros, realizada no Galpão da Galeria Fortes D’Aloia e Gabriel em abril de 2015 (7 min). Disponível em: https://youtu.be/YqZ8xyFYMHY. Acesso em: 15 out. 2019.

 

LEDA Catunda. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa10215/leda-catunda&gt;. Acesso em: 09 de Mar. 2020. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7

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Curadoria & Pesquisa Enciclopédia do Itaú Cultural Novidades Pesquisa

Valeska Soares

[Texto para a Enciclopédia do Itaú Cultural]

Valeska Soares (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1957). Artista visual. Explorando dualidades de sentido, como prazer e desagrado, beleza e morbidez, completude e ausência, produz obras que integram diferentes linguagens, como pintura, escultura, colagem, vídeo e instalação.

Formada em arquitetura pela Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, produz seus primeiros trabalhos em 1989, a maioria deles com a denominação Untitled (sem título). Os primeiros objetos e esculturas são criados com materiais do cotidiano, e muitos deles consistem na fixação de tecidos em armações. Um exemplo disso é Mar de Rosas (1989), em que uma delicada colcha branca, bordada com desenhos de rosas, é presa por um gancho, fixado em um cabo de aço.

Para o crítico de arte Adriano Pedrosa (1965), Valeska lida com um complexo repertório de temas, que têm em comum a resistência a uma nomeação precisa ou a presença de conceitos opostos em uma mesma obra. Em Sem Título (Preserva) (1991), a artista expõe dúzias de rosas vermelhas, embrulhadas em algodão branco. Com o tempo, as flores começam a apodrecer e o trabalho adquire feições mórbidas. Para o estudioso Charles Merewether, ela cria em suas obras um universo hermético e místico, de grande poder erótico. As rosas podem remeter ao amor, mas também ao vermelho do sangue e à morte.

De acordo com a curadora Júlia Rebouças (1984), desde a década de 1990, os trabalhos da artista remetem ao feminino. Isso fica evidente em Doubleface (2017-2018), em que lida com retratos de mulheres, encontrados em antiquários. A artista pinta o avesso das telas, nas quais figuram os retratos, e faz um corte de tamanho e posição distintos em cada uma, dobrando a parte recortada. O procedimento faz o rosto, as pernas, os pés ou as mãos dessas figuras femininas se destacarem na nova superfície pintada.

Valeska se especializa em história da arte e arquitetura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ) em 1990. Muda-se para os Estados Unidos em 1992 e faz um mestrado no Pratt Institute. Inicia doutorado em artes plásticas na New York University em 1996.

Na década de 1990, há uma mudança de escala nos trabalhos da artista, que passam a ocupar um espaço maior. Em Sem título 03 (From Fall) (1994), toda uma sala da Bienal de São Paulo é usada. Nela, Valeska espalha rosas vermelhas pelo chão e faz saírem do teto pares de cordas feitas com cabelos sintéticos, que seguram um bastão de mármore disposto na horizontal. O uso de flores, como rosas e lírios, torna-se frequente nessa época, acrescentando aos trabalhos novos sentidos e sensações, como tato e olfato. Em Vanishing Point (1998), a artista justapõe tanques de aço inoxidável ao redor de uma coluna, aludindo a diagramas de jardins clássicos, em labirinto. Os tanques se transformam em esculturas e são preenchidos por uma solução perfumada. O perfume adocicado, a princípio sedutor, torna-se, por seu excesso no ambiente, enjoativo.

A formação da artista lhe permite trabalhar com elementos arquitetônicos e paisagens, que se tornam mais frequentes em suas obras no final da década de 1990. É o caso de Folly (2005-2009), que, exibida pela primeira vez na Bienal de Veneza, integra a coleção de Inhotim, em Minas Gerais. Na obra, as paredes espelhadas de uma espécie de coreto incluem a vegetação que está ao redor. Na parte de dentro da estrutura, em que também há espelhos, é possível ver uma projeção de pessoas dançando no antigo cassino da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, ao som da canção “The Look of Love”. A instalação passa ao espectador uma sensação de suspensão do tempo, em que passado (as pessoas dançando) se mistura com presente (o reflexo do visitante na parede).

Valeska também inclui literatura em suas obras, ao usar capas de livros como objetos de composição, como em Novella (from Bindings) (2010), ou escritos literários, como faz em Edit (Love Stories) (2012). Nesta obra, ela apaga frases de livros, como Fragmentos de um discurso amoroso (1977), de Roland Barthes (1915-1980), deixando aparentes apenas trechos sobre rompimentos amorosos e envolvimentos afetivos.

Com materiais contrastantes, e por meio da dualidade de sentidos, a obra de Valeska amplia as possibilidades de ocupação e ressignificação dos espaços

 

FONTE DE PESQUISA

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Nosso Corpo, Nossa Voz

O grupo de estudos e trabalho Vozes Agudas, formado por mulheres atuantes na cena artística paulista, tem como mote estudar e intervir no sistema das artes, via uma perspectiva feminista de crítica da cultura. Dentre as nossas proposições de análise e participação no “jogo” de (in)visibilidade do meio artístico, preocupa-nos as dificuldades de inserção e consagração de trajetórias de mulheres artistas, curadoras, educadoras, produtoras e tantas outras profissões do meio, e suas negociações sociais para manutenção das carreiras.

Como uma das frentes de apoio e de enfrentamento face às dificuldades encontradas pelas mulheres (em sentido expandido) para se consolidarem profissionalmente, nos deparamos constantemente com as estratégias de silenciamento e apagamento histórico – e pensando nesse paradoxo de ausência/presença das mulheres no meio das artes, decidimos efetuar e propiciar plataformas de fala e escuta sobre as experiências profissionais e pessoais, a fim de que haja a possibilidade de troca, de referenciamento e de propagação da memória.

Ao longo de um ano, com esforço e teimosia, realizamos palestras e falas públicas com convidadas de diferentes setores e contingências do sistema das artes, estudamos aspectos pertinentes aos problemas feministas no meio artístico e, como consequência, efetuamos gravações e demais registros sobre essas falas, conversas e encontros. O resultado disso, ainda em processo de consolidação, é o podcast Vozes Agudas, em que conversamos com essas figuras femininas, feministas ou não, sobre suas escolhas e conflitos da profissão.

A fim de marcar o investimento de meses nessas ações, apresentamos aqui uma pequena exposição de três das artistas entrevistadas nesse percurso, que ora tocam questões feministas e de política da identidade, ora oferecem possibilidades de desvio em verdades solidificadas sobre o eu-mulher.

Fabiana Faleiros, Virginia de Medeiros e Ana Teixeira, artistas pertencentes a diferentes gerações, regiões do país, com trajetórias profissionais diversas e metodologias de trabalho também particulares, formam então um conjunto heterogêneo de extratos sociais, mas coerente no mote de questionamento de afetos e desejos, de subjetivação feminina em diferentes direções e objetivos, e de resoluções formais para os discursos poéticos. De um feminino socialmente consolidado – mas atravessado de estranhamentos – até o feminino performado – almejado ou debochado frente às convenções sociais – o que alinhava essas produções, inclusive em suas discordâncias, é a inquietude quanto às demarcações da feminilidade e nosso exercício de esgarçamento desses códigos de gênero.

Fabiana Faleiros desenvolve projetos de performance, artes visuais e escrita, no Brasil e no exterior. É doutora em artes e defendeu a tese “Lady Incentivo – SEX 2018: um disco sobre tese, amor e dinheiro”. Nesse trabalho, a artista pesquisou sobre a construção histórica da feminilidade branca por meio de uma perspectiva feminista decolonial. 

Virginia de Medeiros é conhecida por seu trabalho híbrido entre documentário e proposta de fabulação da vida, trabalhando com vídeo-instalação e audiovisual. Virginia é motivada, principalmente, pelas possibilidades de encontro, os afetos gerados por esses contatos e pela capacidade de conexão com os outros, materializada de modo fracionado pelas imagens e textos que produz.

O trabalho de Ana Teixeira transita por diferentes meios, com interesse pelo desenho e pela arte participativa, tendo a literatura e o cinema como suas principais referências. Se interessa por uma arte que propicie encontros, que se misture com a vida cotidiana e resulte em possíveis repercussões nos participantes.

Sigamos com mais corpos e mais escutas…

O grupo Vozes Agudas: mulheres na arte é formado por Ana Paula Monteiro Nagano, Bia Mantovani, Cal Kielmanowicz, Emily Mayumi, Juliana Caffé, Karina Sérgio Gomes, Letícia Ranzani, Mariana Lorenzi, Sol Casal, Talita Trizoli, Tania Rivitti e Thais Rivitti.

 

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Curadoria Curadoria & Pesquisa Novidades

Revistas experimentais no Brasil

Abrigando tão somente edições originais (excluindo, portanto, os fac-símiles), a presente mostra pretende dar a público parte substancial das “revistas” experimentais – ou “de invenção”, como já se disse – ao público interessado em Poesia e nas demais Artes. Revistas, como eram chamadas essas publicações, às quais faltava a periodicidade, para as que passaram do 1º número – eram, em verdade, antologias. Foram consideradas, no presente recorte, apenas revistas experimentais herdeiras, em certa medida, do Construtivismo brasileiro, excluindo-se outros experimentalismos e publicações acadêmicas, até com certo arrojo, ligadas a instituições de ensino ou a grupos editorias estabelecidos, sem a intenção, porém, de subtrair-lhes a importância. As Revistas, como se sabe, ficam entre o efêmero do Jornal e o perene do Livro e, nessa situação entre dois polos, acabam por abrigar preciosidades, que ainda não encontraram o veículo definitivo – portanto, reservando grandes surpresas aos pesquisadores. A preservação, guarda, exibição e divulgação desse material, abrindo-o às pesquisas, são de grande importância para os estudos que envolvem a Arte em geral e particularmente a Poesia. E é com este objetivo que o GP ARTE CONSTRUTIVA BRASILEIRA E POÉTICAS DA VISUALIDADE organizou esta mostra, com foco principal nas revistas que floresceram a partir dos anos 1970 e  80, com alguma inflexão para as precursoras e visando, por outro lado, ao Terceiro Milênio.

As Publicações: NOIGANDRES . INVENÇÃO . VÍRGULA . CÓDIGO . POLEM . NAVILOUCA . BAHIA INVENÇÃO . ARTÉRIA . POESIA EM GREVE . QORPO ESTRANHO . MUDA . I . CASPA . SURPRESA . JORNAL DOBRABIL (REVISTA DEDO MINGO) . VIVA HÁ POESIA . ALMANAK 80 . ZERO À ESQUERDA . KATALOKI . AGRÁFICA . ATLAS

Curadoria: Omar Khouri

Organização: Edna Watanabe, Felipe Paros, Karina Sérgio Gomes, Marcela Souza

Exposição como parte integrante do evento: ‘Primeiro encontro de pesquisadores de Arte Construtiva Brasileira e Poéticas da Visualidade’
GP Arte Construtiva Brasileira e Poéticas da Visualidade

Biblioteca do IA-UNESP, campus de São Paulo, de 24.6 a 12.7.2019

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CONTEÚDO Folha de S. Paulo Jornal jornalismo Novidades

Famílias migram para apartamentos enxutos no Butantã, em SP

Reportagem para o jornal Folha de S. Paulo para o caderno Morar

O engenheiro civil Rafael Sullivan, 36, mora com a família em uma casa de 300 metros quadrados, com quintal e cachorro, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. A chegada da filha Lara, há dois anos, fez com que ele reavaliasse as prioridades.

Para trocar as cerca de duas horas no trânsito até o trabalho, na região da avenida Paulista, por tempo ao lado da filha, decidiu comprar um apartamento de 66 metros quadrados no Butantã, para o qual deve se mudar em alguns meses. “Resolvemos trocar espaço por tempo”, diz.

Ele não é o único. A proximidade do bairro com as avenidas Brigadeiro Faria Lima e Luís Carlos Berrini e a inauguração da estação São Paulo-Morumbi da linha 4-amarela do metrô, no ano passado, levou a uma migração de famílias para a região.

Em 2017, foram lançadas 114 unidades no Butantã. No ano passado, 940. Já no primeiro trimestre deste ano, 290, de acordo com o Secovi-SP (sindicato da habitação).

A maioria é de apartamentos voltados para jovens casais com filhos, com plantas de até três dormitórios, mas que não ultrapassam os 75 metros quadrados.

Um deles é o Eldorado Butantã, da Trisul. Entregue em abril, tem 116 apartamentos de 2 ou 3 quartos em plantas de 66 a 74 metros quadrados.

Para Lucas Araújo, superintendente de marketing da construtora, esse modelo de apartamento com mais cômodos em metragem ainda enxuta é resultado das exigências do Plano Diretor Municipal de São Paulo, de 2014.

“Para construir perto do metrô, há várias restrições, como a obrigatoriedade de mais unidades em um espaço menor. Assim surgem apartamentos mais compactos, mas ainda voltados para famílias”, diz.

Outra que investe nesse público é a Even. Ela entregou em abril o Praça Butantã, com imóveis de dois e três dormitórios em plantas de 50 a 67 metros quadrados. Fica a dois minutos da estação Vila Sônia da linha 4-amarela, que deve ser inaugurada em 2020.

Para Marcelo Dzik, diretor comercial da construtora, o tamanho reduzido dos imóveis é compensado por áreas de lazer generosas, com piscina, salão de festa e academia. Já o metrô próximo equilibra a falta de vagas de garagem.

Para o professor João da Rocha Lima Júnior, do núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da USP, o bairro passa por uma requalificação. “O Butantã e seus arredores ainda têm muitas áreas com casas e galpões de empresas, que começaram a ser desativadas. A região está se tornando mais residencial”, diz.

O diretor de atendimento da Lopes, João Henrique, diz que o metro quadrado no Butantã fica em torno de R$ 9.000.

A procura pelo bairro é alta, e há poucas unidades disponíveis nos lançamentos no bairro pela Lopes no último ano. “São projetos com bom preço, numa área que estava carente desse modelo de empreendimento.”

*

Eldorado Butantã

Onde fica
rua Comendador Elias Assi, 126

Área útil
66 e 74 m²

Valor
a partir de R$ 627 mil

Diferenciais
piscinas, pet place, sauna, área fitness

Construtora
Trisul