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CONTEÚDO Conteúdo Institucional SESC turismo Web

Cobertura de evento: Encontro de Viajantes

Veja abaixo alguns dos conteúdos publicados nas redes sociais do Sesc Bertioga durante a cobertura do evento Encontro de Viajantes, em comemoração aos 70 anos do turismo social do Sesc. 

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No intervalo antes do almoço, escutou-se pelos corredores um violão e um batuque animado. Não se tratava de nenhuma atividade oficial do evento, mas do grupo de viajantes festeiros de Santos: Onofre Marques de Almeida, 60 anos, Marcus Sales Galvão, 71, e Regina Célia Sales Galvão, 69. Como em todas as viagens que fazem juntos, ou mesmo nas tardes em Santos, eles se reúnem para cantar suas músicas favoritas. O repertório é variado: tocam samba, MPB e moda de viola. “Eu comecei a tocar violão para cantar as músicas que costumava a ouvir com meus pais”, conta Onofre. A animação é tanta que, em Santos, eles têm um bloco de carnaval chamado “Alegria de Viver”. Para eles, a música é parte importante das viagens que fazem pois ela promove a integração. De fato, não foi preciso tocar mais do que duas músicas para que outras pessoas se aproximassem e começassem a cantar junto. Uma alegria contagiante que logo se espalhou por toda lanchonete.

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A campineira Djanira Agustini, 70 anos, demorou para começar a viajar. Passou boa parte da vida cuidando dos pais e sem tempo para si. Depois que eles morreram — a mãe, em 2004, e o pai, em 2009 — , sentiu que estava caindo em depressão. Para aliviar os pensamentos ruins, começou a frequentar o Sesc de Campinas e descobriu as viagens e excursões promovidas pela instituição. Em 2010, fez sua primeira viagem para Porto Alegre e não parou mais. Ela não se recorda o número exato, mas já visitou mais 80 cidades pelo Brasil com o Sesc. “Esses passeios foram a minha salvação. Fiz amigos, conheci lugares e culturas incríveis”, conta. Ela já está tão costumada a fazer viagens pela instituição que, quando viaja sozinha, se pergunta: se eu estivesse aqui com o Sesc faria qual tipo de passeio? E tenta bolar uma atividade que tenha espírito parecido. O apelido Djatour ganhou em uma viagem por Cananéia. Em um bate-papo informal, perguntaram a ela qual era o seu sonho. A resposta foi: comprar uma van de turismo para levar os amigos para viajar. No automóvel, ela escreveria: Djatour. Mesmo que a van ainda não exista, para os amigos a marca já está registrada e eles fazem questão de ter a Djatour por perto em suas viagens.

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Mada e Laerte, de Bauru, visitam o Sesc Bertioga desde 1972. A primeira vez foi em sua viagem de lua de mel. E daquela data eles lembram de tudo: dos votos de amor eterno que trocaram em frente à imagem da santa da gruta ao bolo de nozes que comeram no café. Mesmo com o nascimento dos três filhos eles não faltaram. Em meados da década de 1980, a balsa que fazia travessia pelo Canal ficou sem operar devido a uma reforma. E isso não foi um problema para a família, pois vieram em um esquema de mochilão, cada trouxe sua própria bagagem pendurada nas costas. Ao chegar no Guarujá, pediram a um barqueiro que estava por perto para ajudá-los a chegar ao outro lado e alcançar a praia do Sesc. Assim que os filhos cresceram e saíram de casa, os dois continuaram a tradição. Para eles é sempre como se estivessem em mais uma lua de mel. Um respiro na rotina de casados e um momento em que podem dar atenção apenas um ao outro, como aconteceu há mais de 40 anos.

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CONTEÚDO Editora MOL

Alguém acreditou em mim

Matéria de capa para a revista TODOS, da editora MOL.

ÀS VEZES, PRECISAMOS QUE O OUTRO NOS MOSTRE O QUE A GENTE CISMA EM ESQUECER: QUE PODEMOS SUPERAR QUALQUER DIFICULDADE E REALIZAR NOSSOS MAIORES SONHOS

Seria mais fácil se a gente nunca ligasse para a opinião dos outros. Claro, tentamos deixar as expectativas alheias para lá, mas é da natureza humana querer estabelecer vínculos e se esforçar para ser aceito. “A busca por aprovação é reflexo da nossa necessidade de nos incluirmos em grupos”, afirma Taís Bleicher, professora de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo. “E essa inserção social é importante – mas pode ser sufocante.” É que, muitas vezes, os outros têm uma visão enviesada sobre quem somos e tentam fazer com que nossas ações sigam o roteiro deles. Aos olhos da sociedade, por exemplo, condição física, idade, poder aquisitivo e experiências passa- das são capazes de determinar até onde podemos chegar.

Ainda bem que, para cada pessoa que insiste em colocar alguém em uma caixinha com rótulo, existem outras tantas dispostas a mostrar que nenhuma dificuldade consegue ser maior do que um sonho. “Quando temos a oportunidade de construir uma relação de confiança, um pode ajudar o outro a pensar em caminhos e estratégias que nem sempre estão evidentes para quem está só ou desamparado”, explica Taís.

Por isso, é importante olhar ao redor e perceber que, quando nem mesmo a gente sente que dá para continuar caminhando, alguém vai estar ali para oferecer a mão e puxar nossa determinação de volta ao lugar dela, no peito. “Cultivar uma rede de apoio não é imprescindível para todos, mas pode ser poderoso, porque facilita o processo de acreditar em si mesmo”, diz Claudia Giacomoni, professora de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “A riqueza da vida é poder contar com o outro e não ficar sozinho.”

Confiar em nós. Quantas vezes deixamos essa prática tão importante de lado porque nos falta alguém que bote fé na gente primeiro, para mostrar como é que se faz? Nas páginas a seguir, você vai conhecer histórias de pessoas que já tinham caído na armadilha de limitar as próprias realizações pela pequenez alheia. Até que surgiram incentivadores fundamentais para que passassem a escutar o que seu íntimo nunca parou de dizer: que elas são, sim, capazes de ser feliz.

Veja a matéria completa e conheça seus quatro personagens aqui

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Novidades Seminários & Congressos Vida Acadêmica

Letra e Imagem – A parceria entre Augusto de Campos e Julio Plaza

No seminário ARTE CONCRETA E VERTENTES CONSTRUTIVAS: TEORIA, CRÍTICA E HISTÓRIA DA ARTE TÉCNICA, que aconteceu na UFMG, em junho de 2018, apresentei o artigo:

Letra e Imagem – A parceria entre Augusto de Campos e Julio Plaza

Resumo:

A relação entre o poeta brasileiro Augusto de Campos e o artista visual espanhol Julio Plaza rendeu uma das experiências mais completas que a poesia concreta brasileira pretendia. Os trabalhos são interdisciplinares, uma característica prevista no manifesto do movimento, e extrapolam a fronteira entre arte e literatura. O presente artigo pretende apresentar, ainda que brevemente, alguns dos projetos mais expressivos dessa dupla: Poemobiles, Caixa Preta e Reduchamp. Plaza encontrou nas palavras dos poemas de Campos o conteúdo perfeito para seus Objetos, o primeiro trabalho que eles fizeram em colaboração e que se desdobraria nas outras três obras citadas.

O artigo completo foi publicado nos anais do evento no ebook presente no link: http://lacicor.eba.ufmg.br/concreteart/files/ebook_comunicadores.pdf

ISBN: 978-85-54241-02-5

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CONTEÚDO Novidades Revista Revista da Gol

Pinceladas – Revista GOL

Ei você que está viajando de @voegoloficial, aproveite para ler essa conversa com três pintores de diferentes gerações, mediada por essa que vos escreve.
Julia Szabó, Paulo Pasta e Dudi Maia Rosa conversam sobre o ofício e os desafios de ser artista.

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CONTEÚDO Projeto Draft Web

Mecânico (ou mecânica) delivery que resolve os problemas do ciclista em casa? Tem na Bike123

Reportagem para site Projeto Draft.

Foi durante uma bicicletada, em 2008, que o profissional de relações internacionais Rafael Taleisnik, 32, e o psicólogo Eduardo Matsuoka, 30, se conheceram. O primeiro estava voltando a pedalar e achou interessante a bicicleta de roda fixa (que não tem marcha) de Eduardo. Pediu para dar uma volta. Depois desse encontro, tornaram-se amigos e acabaram empreendendo juntos em um negócio específico para quem gosta de pedalar: a Bike123 é uma plataforma que conecta técnicos de bicicleta com quem está precisando de um help com a magrela (desde um conserto simples, como pneu furado, até a montagem de um modelo comprado pela internet).

Quem vê os dois, hoje, felizes com o empreendimento, não imagina a trilha sinuosa que eles enfrentaram para chegar até aqui. Rafael já estava com um intercâmbio engatilhado quando surgiu a oportunidade de trabalhar como consultor de desenvolvimento de produtos e vendas da marca Shimano (marca japonesa que é um ícone entre ciclistas). Ele cancelou os planos de estudar fora e embarcou na paixão pela magrela.

Por sua vez, Eduardo fazia mestrado em Psicologia Experimental na PUC-SP e atendia na clínica da universidade mas gostava mesmo é de pesquisar sobre bicicletas ou, claro, estar em cima de uma. Chegou um momento em que estava tão envolvido com o veículo que decidiu trabalhar em uma bicicletaria. Dessa pedalada para largar de vez a psicologia foi uma distância curta. Bastou que Rafael o indicasse, em 2012, para uma vaga de consultor na mesma Shimano.

Os dois trabalhavam na empresa já pensando em angariar conhecimento sobre o mercado e montar o próprio negócio. A primeira ideia foi abrir uma loja virtual de produtos encalhados nas distribuidoras. Outra, criar uma marca de bicicletas urbanas, além de uma loja focada exclusivamente no público feminino. Mas o modelo de negócios da Bike123 começou a se desenhar praticamente sozinho, quando eles passaram a observar suas próprias necessidades. Eduardo fala a respeito:

“A gente sentia na pele o drama de quando a bicicleta quebrava ou precisava de manutenção. Era sempre difícil encontrar alguém de confiança”

Ele prossegue: “Comecei a mexer nas minhas bikes porque não confiava nos mecânicos que conhecia”. Além disso usava a sua expertise para, na base da tentativa e erro, descobrir e mapear quem eram e onde estavam os bons técnicos de bicicleta na cidade de São Paulo. Logo, passou a ser o “Google” das boas dicas para a turma que precisava de assistência.

COMO ENTENDER SE O MERCADO EXISTE? PESQUISA-SE

Atenta à essa cena e ciente de que muitos técnicos tinham interesse em ganhar uma grana extra, a dupla começou a pesquisar com mais profundidade as necessidades dessas duas pontas (mecânicos e ciclistas) que viriam a atender na plataforma. O primeiro passo foi disparar dois formulários: um para os mecânicos e outro para os ciclistas, com o intuito de entender os interesses de cada um. “A gente não sabia se as outras pessoas, fora do nosso ciclo, tinham os mesmos problemas”, diz Eduardo.

Com as respostas, perceberam que estavam no caminho certo. Descobriram que havia público para o negócio e que a maioria dos mecânicos estava insatisfeita com o que ganhava nas oficinas e disposta a atender mais gente para complementar a renda. Criaram, então, um site bem simples para começar a cadastrar os interessados e, assim, a Bike123 entrou no ar em 2016. A ideia do nome surgiu porque eles queriam algo curto que evocasse a palavra bike de uma forma simples e fácil de lembrar. “123 é uma sequência universal e que remete a ideia de ‘para já!’ ou de rapidez”, diz o ciclista empreendedor.

Por meio de posts patrocinados no Facebook e Google AdWords, chegaram até os clientes.

“A gente sabia que as lojas físicas ficariam cada vez mais enfraquecidas com o aumento das bicicletas vendidas pela internet. O que poderia salvar esses estabelecimentos era o serviço de manutenção”, prossegue.

Quem compra uma bicicleta online recebe o produto numa caixa. A bicicleta vem desmontada e desregulada e, se a pessoa não tiver muita intimidade com as engrenagens, pode ter dificuldade em montá-la. Por isso, o serviço de delivery de mecânico que vá até a casa do cliente, pegue a caixa e devolva a bicicleta pronta pareceu uma boa saída. “Nosso primeiro objetivo era unir os mecânicos com quem queria comprar uma bike, mas não tinha tempo ou meios de levar até uma oficina para ser montada. Essa foi a principal demanda que tivemos no período de testes”, conta Eduardo.

Projeto aprovado pelas duas pontas, chegou o momento de formar uma base de profissionais. Aos primeiros interessados foi mandado um link para que fizessem o cadastro, o que os sócios acharam que seria um procedimento tranquilo. Porém, a quantidade de dúvidas que recebiam dos mecânicos era enorme e o processo, lento. Eduardo resolveu, então, ir às oficinas acompanhar o cadastramento. Essa também foi uma forma de verificar o que não estava suficientemente claro no site e precisaria de ajustes para tornar tudo o mais simples e intuitivo possível.

Para encontrar mais profissionais, os empreendedores criaram um grupo no Facebook para técnicos de bicicletas – atualmente a comunidade conta com 1 200 inscritos. “Percebemos que há uma carência de informação sobre a área”, conta Eduardo. No grupo, começaram a postar conteúdos sobre a manutenção das bikes para oferecer conhecimento aos interessados que, ao se inscreverem na plataforma, devem enviar cópias dos certificados de cursos feitos, foto da carteira de habilitação e de cinco ferramentas que os sócios consideram fundamentais para oferecer o serviço. Além disso, a dupla checa os antecedentes criminais dos inscritos. Quem ajuda a calibrar o atendimento são os próprios usuários que avaliam a experiência. Segundo os sócios, até o momento, a maior parte dos feedbacks tem sido positiva.

AS CICLISTAS QUERIAM MECÂNICAS. ELES FORAM EM BUSCA DE FORMAR TÉCNICAS

Em uma das muitas pesquisas que fizeram, os fundadores constataram que 30% dos clientes eram mulheres, porém 100% dos técnicos são homens. Resolveram conversar com as ciclistas para saber o que elas pensavam dos serviços oferecidos de maneira geral e não apenas os da Bike123.

“A maioria das ciclistas achava o ambiente de uma bicicletaria ou loja hostil e que quase sempre eram atendidas por homens que as tratavam de um jeito infantilizado”

Elas também afirmaram ter dúvidas se o serviço que precisava ser feito na bicicleta seria mesmo executado. Diante dessa realidade, os sócios procuraram uma parceria com a Escola Park Tool para oferecer bolsas de estudos integrais para dez mulheres interessadas em fazer um curso profissionalizantes de mecânica de bicicleta e se tornarem futuras técnicas. A maioria das interessadas era de fora de São Paulo, porém todas saíram das aulas certificadas e, em breve, quatro delas vão estar cadastradas na Bike123 para oferecer serviços em suas cidades. Após essa iniciativa, a escola abriu um curso exclusivo para mulheres e os sócios já pensam em fazer uma nova edição da bolsa de estudos, porém, contam que precisam de patrocínio para isso.

As dez técnicas formadas no curso da Bike 123 em parceria com a Escola Park Tool para inserir mais mulheres nesse mercado.

Atualmente o site conta com 12 mecânicos e são eles quem precificam seus serviços. De acordo com os sócios, os técnicos, por conta própria, acabaram tabelando os preços e seguindo uma média de valores, que variam de 50 a 200 reais, dependendo do tipo de atendimento (a revisão custa por volta de 150 reais, enquanto a revisão “premium” sai 200 reais). Do que cobram, a Bike123 fica com 20%.

O investimento inicial para fazer o negócio rodar foi de 25 mil reais e, hoje, embora a empresa ainda não dê lucro para manter os dois sócios, pelo menos, já se paga. Eduardo é quem fica 100% do tempo focado em resolver problemas e melhorar a experiência dos clientes. “No começo, a gente acreditava que era fundamental conseguir entrar para uma aceleradora. Mas ficar participando desses processos desviava nosso foco. Para crescer, a gente precisa rodar. Por isso, estamos focados na operação do nosso sistema no momento”, diz.

O excesso de foco na empresa, no entanto, fez com que Eduardo deixasse um pouco a vida pessoal de lado. “Aprendi que precisa ter um tempo de trabalho e também o meu tempo.” Agora, ele tira duas vezes na semana um período para pedalar e fazer exercícios. Antes, como ia e voltava do trabalho de bike, a atividade  física estava incorporada à sua rotina. Hoje, trabalhando de casa, precisou encontrar um momento para isso.

Detalhes revisados e alinhados, Eduardo e Rafael buscam expandir a área de atuação. Atualmente, o site registra um média de 30 atendimentos mensais em toda a capital mais a região do ABC. Desde de meados do ano passado, perceberam que havia uma demanda no interior paulista. Hoje procuram por mecânicos em Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, São José dos Campos e Sorocaba. E seguem pedalando para que mais pessoas desfrutem com segurança do prazer de andar de bicicleta.

DRAFT CARD

Draft Card Logo

  • Projeto: Bike123
  • O que faz: Manutenção de bicicleta para ciclista em formato delivery
  • Sócio(s): Rafael Taleisnik e Eduardo Matsuoka
  • Funcionários: 12 técnicos cadastrados
  • Sede: São Paulo
  • Início das atividades: 2016
  • Investimento inicial: R$ 25.000
  • Faturamento: 30 atendimentos, em média, por mês
  • Contato: contato@bike123.com.br ou (11) 98935-1534
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CONTEÚDO Novidades São Paulo Review Web

Marilá Dardot: uma artista entre os livros

Entrevista com a artista Marilá Dardot para o site São Paulo Review.

* Por Karina Sérgio Gomes *

A artista visual Marilá Dardot cresceu entre livros. Nascida em Belo Horizonte, o pai da mineira foi o maior incentivador para que ela se interessasse por literatura. O amor pelas palavras fez com que as frases, versos, letras e livros entrassem de forma natural na sua arte. Depois de uma primeira formação em Comunicação Social, Marilá foi estudar artes visuais na Escola Guignard, em 1997. Percebeu que estava pela primeira vez diante de um trabalho que reconhecia como uma obra, quando realizou “O livro de areia”, de 1999, inspirado no conto homônimo do argentino Jorge Luís Borges. “Foi a primeira algo que me fez pensar: ‘isso aqui é o meu trabalho’”. Desde então, as palavras, a literatura e os livros não saíram mais do repertório visual dessa artista que aprecia também a fisicalidade do objeto e não gosta de ler PDF.

Atualmente, Marilá vive em Portugal. Um dos dramas de trocar de país por tempo indeterminado foi se separar da sua biblioteca. Nessa entrevista para a São Paulo Review, a artista conta sobre a sua relação com a literatura e diz que considera os autores com os quais trabalha seus colaboradores.

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Antes da sua formação em artes visuais pela Escola Guignard, você se formou em Comunicação Social. Fale um pouco sobre essa primeira formação. 

Quando saí da escola, não tinha um caminho claro do que queria fazer. Cheguei a prestar vestibular para artes plásticas na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), mas, na época, você fazia primeiro um teste de aptidão e eu não passei. Também não sabia se queria ser artista. Porém, passei na minha segunda opção, que era Comunicação Social. Cheguei a fazer um semestre de jornalismo, mas vi que não era isso. Então, passei para Rádio e TV. Provavelmente, se eu não tivesse feito comunicação antes, aos 18 anos, eu não teria me tornado artista. Naquela época, eu não tinha maturidade para desenvolver um trabalho próprio. Enquanto eu estudava Comunicação Social, pude fazer algumas matérias na Faculdade de Filosofia, outras na Letras. Tive aulas de semiótica que foram superimportantes. Depois que eu me formei, comecei a trabalhar com publicidade. E logo vi que não queria aquilo para minha vida. Foi quando entrei para Escola Guignard, já com uma bagagem tanto de vida quanto de teoria.

De onde vem o seu interesse pela literatura? 

A literatura sempre fez parte da minha vida. Sempre fui leitora. Meu pai, que era arquiteto, gostava muito de ler e me dava muitos livros. Toda semana me trazia um. Eu comecei a ler muito por causa dele. Às vezes, ele estava lendo um livro e me contava a história adaptando para o universo infantil.

Como a literatura entrou para o seu trabalho de arte? 

Em 1999, tinha acabado de sair o Diário da Frida Khalo (da editora José Olympio). Nessa época, ficou muito em alta o livro de artista, mas sabia que aquilo eu não queria fazer. Nesse mesmo ano, a partir do conto “O livro de areia”, de Jorge Luís Borges, fiz um livro feito de espelhos e dei o mesmo nome. Foi a primeira arte que fiz algo que me fez e pensar “isso aqui é o meu trabalho”. E ele condensa questões que vão permear minha obra no futuro: além da literatura, a participação do espectador.

Você entende a releitura de um livro para uma obra de arte como uma adaptação para o cinema? 

Gosto de pensar como um diálogo. Mais do que uma adaptação, acredito que seja uma colaboração. Eu considero um pouco esses autores como colaboradores. É um diálogo com aquela obra. Com o que ela me fez querer dizer, para aonde que ela me leva, o que que ela suscita. Eu não estudei literatura, é uma relação de leitora, mesmo quando eu uso obra de filosofia. Mas eu acho que são sempre usos atrevidos sem nenhuma pretensão acadêmica. O trabalho reflete mais as minhas sensações quanto leitora.

Não apenas a literatura faz parte do seu trabalho, mas o livro como um objeto também está muito presente. Comente um pouco sobre essa sua relação com esse objeto. 

Gosto do objeto livro, não gosto de ler PDF. O começo da minha biblioteca foi com alguns livros roubados da biblioteca dos meus pais e outros comprados em sebo, que trazem a história do objeto. Eles têm marcas de leitura, coisas encontradas. Esses itens encontrados inspiraram o trabalho “Sebo”, feito em parceira com o artista Fábio Morais. O livro aparece no meu trabalho também como um objeto escultórico, como em “Terceira margem” (2007) e “Volta ao dia em 80 mundos” (2013) “O livro das mil e uma noites” (2014). Quando fiz uma residência em Viena, foi a primeira vez em que fiquei um tempo em um lugar em que eu não falava a língua. Eu visitava os sebos e achava os livros lindos, mas não tinha a mínima ideia do que estava escrito. Porém achava linda a paleta de cor. E comecei a ficar fascinada. Todas as vezes que viajo para algum país em que desconheço o idioma, eu sempre vou atrás dos livros antigos, em sebo, para saber se a paleta de cor muda, como são as guardas. Quando fui para a Eslováquia, que tem uma grande tradição de desenho de animação, percebi que as guardas eram superilustradas. Eu comecei a perceber que o design dos livros traduziam uma cultura. Essa pesquisa resultou na série “Minha Biblioteca” (2014-2018).

Você disse em uma entrevista que o seu processo de criação é um tanto caótico. Em geral começa com uma imagem ou com uma palavra? 

Às vezes, é um texto ou um livro. Às vezes, é da obra mesmo. Para o Parque das Esculturas, em Londres, eu queria fazer esse um muro de espelho com uma frase transparente, que atravessasse o espelho revelando a paisagem por detrás dele. Então, veio primeiro a imagem do trabalho para esse lugar em específico. Fui à minha biblioteca e peguei um livro de poemas da Patti Smith. O livro tinha um post-it. Na página marcada, li a frase: “the landscape is moving”. O verso era exatamente o que eu queria colocar no muro (de 2013, que leva o mesmo nome). Talvez eu tenha criado o trabalho a partir daquela frase sem saber e, no final, as coisas se juntaram.

Você já pensou em escrever um livro ou se dedicar à escrita? 

Em alguns trabalhos escrevo um pouco. Mas nunca pensei a sério nisso. Quando eu fazia comunicação, cheguei a escrever uns contos. Sempre gostei muito de escrever cartas. No caso das minhas cartas, eu escrevo com uma preocupação estética da escrita. Com o desejo de que ela cause uma recepção estética, como se a forma pudesse provocar uma reação. A editora Par(ent)esis editou em 2009 um livro de cartas trocadas entre mim e Fabio Morais, o “blá blá blá”. Eu e Fabio também temos um trabalho em video, o “Correspondência”, de 2008, em que trocamos “e-mails” datilografados A gente parou de escrever cartas, é uma coisa que vem se perdendo. Hoje, a gente manda Whats’app. O emoji é tudo que abomino. É a maior massificação de qualquer sentimento. As sutilezas e a subjetividade da escolha das palavras não existem num emoji. Estou lendo o livro Cartas a los Jonquières, do Cortázar, que reúne suas cartas à família Jonquières desde quando ele foi morar na França, em 1950. São cartas em que descobrimos sobre seus processos de trabalho, lemos trechos de contos, o nascimento dos cronópios, observações sobre exposições que visitou, mas também falam de assuntos práticos e corriqueiros: listas de livros para comprar, questões que envolvem dinheiro.

Você sublinha seus livros e faz marginalizas? 

Não, eu não rabisco livros. Eu sempre coloco post-its.

Porém no trabalho “Avant et après la lettre”, você picota os livros. 

Para esse trabalho eu escolhia livros sem valor literário, abandonados em sebos, que não me provocavam pudor em destruir. Mas, de certa forma, este trabalho anuncia um pouco um distanciamento da minha obra da minha biblioteca, dos meus autores admirados, para outras narrativas, como os discursos da mídia impressa.

Você está morando em Portugal. Como é viver longe da sua biblioteca? 

Na primeira viagem, eu trouxe apenas cinco livros. Aí, todas as vezes que vinha do Brasil, trazia mais alguns de filosofia e mais alguns autores que eu não consigo viver sem, como Roberto Bolaño, Julio Cortázar, Jorge Luis Borges, Murilo Mendas, Ana Cristina César, Manoel de Barros… Mas a biblioteca vai crescendo com os livros que vou comprando por aqui. Agora o problema vai ser voltar com os livros.

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CONTEÚDO Conteúdo Institucional Fotografias

Cobertura fotográfica do 19o. Congresso Nacional do PPS

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Cobertura fotográfica do 19o. Congresso Nacional do Partido Popular Socialista, que aconteceu nos dias 23, 24 e 25 de março de 2018, para o site do partido. Veja algumas matérias ilustradas com as fotos:

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CONVERSAS #4: FLÁVIO CERQUEIRA

Na minha singela opinião, bons artistas são aqueles que provocam um “UAUUUU”, seja silencioso ou sonoro. Uso a onomatopeia porque esse primeiro impacto, em geral, não vem verbalizado. É catártico. Depois a poeira vai baixando, as camadas vão se apresentando e você começa a refletir tudo aquilo que o trabalho está querendo dizer, mas que as palavras têm dificuldade de se juntar e organizar as primeiras ideias. O trabalho do FLÁVIO CERQUEIRA provocou exatamente esses sentimentos conflituosos em mim.

Primeiro foi AIMEUDEUSQUEROISSONAMINHASALA, seguido de um embate com uma série de questões que as esculturas levantam. O segundo AIMEUDEUSCOMOASSIM!? foi quando eu descobri que aquele artista foda, que tem obras no acervo da Piconeca, estava simplesmente compartilhando a sala de aula comigo. Quase pedi autógrafo, rs. E as surpresas só aumentaram com o convívio.

O Flávio é dos artistas mais gente boa que eu já conheci. Hoje, tenho o prazer chamar de amigo e frequentar seu ateliê. E vou continuar acompanhando de perto essa carreira cujos primeiros passos corajosos foram dados cheios de sucesso (ferrou-se, Flávio, encontrou uma daquelas pesquisadoras chatas que acompanham de cabo a rabo a vida dos artistas que admira). Um dia, eu vou ser o Calvin Tomkins e vou escrever o meu As Vidas dos Artistas. O Flávio vai ser o Jasper Johns e a sua trajetória vai estar lá no meu humilde livro. Porque embora esse grande escultor domine o bronze tão bem quanto os seus mestres Rodin e Giacometti, ele quer um dia vencer os pincéis e a tela em branco.
Então, chega de chorumelas! Deixo vocês com o episódio #4 de #CONVERSAS com FLÁVIO CERQUEIRA!

Quem gostar do vídeo dá um joinha e se inscreve no canal para eu conseguir levantar uma graninha e fazer mais perfis de mentes criativas e inventivas!

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CONVERSAS #3: MARIANA ROTILI

Desde o tempo de fotolog, acompanho as fotos da Mariana Rotili. Nessa época, ela era adolescente e editava suas imagens no power point. Mas o talento para extrair as imagens do mundo já era visível. No princípio dos anos 2000, a Mari nem pensava em ser fotógrafa. O sonho de ser jornalista foi o que nos uniu.

No entanto, como uma boa aquariana, com ascendente em peixes, ela se deixou levar pelas águas e perdeu o jornalismo de vista. Já eu, como uma sagitariana, com ascendente em signo de terra, segui meu caminho como um cavalo com tapadeiras que não olha nem para o lado.

Porém, se o jornalismo, a história e outros sonhos foram ficando pelo caminho, a fotografia perseguiu a Mari por todas as águas em que ela navegou e que a levaram para o teatro. E eu, mesmo de longe, segui a acompanhar. Agora venho divulgar para vocês o trabalho lindo dessa artista no terceiro episódio de CONVERSAS.

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CONVERSAS #2: RENATO PERA

No episódio #2 de CONVERSAS, o artista visual Renato Pera fala sobre por que escolheu as artes visuais, suas referências e a relação do seu trabalho com a arquitetura. VEJA O VÍDEO COMPLETO EM https://youtu.be/jnaaISayZpY