O que ainda vale e o que perdeu força nas tradições do casamento

Anel de noivado, vestido, horário do evento, escolha de padrinhos. Saiba como os noivos de hoje lidam com as principais etapas de um casamento

Por Karina Sérgio Gomes para o site iCasei

Pode-se dizer que o ritual do casamento em si não passou por grandes alterações no decorrer da história. Muitas das suas etapas são repetidas por séculos sem qualquer sinal de cansaço. Mas isso não significa que não há ciclos de renovação, nos quais algumas tradições e hábitos perdem força – enquanto outros elementos contemporâneos surgem no horizonte.

A assessora Chris Godinho, da Duas Eventos, e o celebrante Paulo Godoy nos ajudaram a contar pra você como os noivos têm reagido às diversas etapas e tradições do casamento.

A volta do anel de noivado

O noivado voltou a ser tendência e, com ele, o solitário entra em cena na hora do pedido de casamento. “De preferência, um solitário de diamante”, afirma Chris. Segundo ela, os pares de alianças douradas na mão direita já não aparecem com frequência nos dedos dos casais que pretendem se casar. Apenas a noiva costuma usar o cobiçado anel.

A internet no lugar do papel

Embora o convite físico, entregue pessoalmente ou pelo correio aos convidados, seja muito utilizado, boa parte da papelaria pré-casamento se tornou digital. O clássico save the date, para avisar que o convite chegará em breve, já segue por mensagem de WhatsApp, segundo Chris. Mas isso não significa mudança de costumes. “Com a tecnologia, algumas tradições que poderiam ser perdidas ganharam mais fôlego.” Entre elas, está o cartão de agradecimento pela presença, que hoje pode ser enviado pelo site de casamento.

O site de casamento

Confirmar a presença de todos os convidados já não depende de telefonemas. Um site de casamento pode cuidar disso para os noivos. Aliás, um endereço eletrônico com essa proposta reúne todas as principais informações do evento, até aquele mapinha de como chegar ao local da cerimônia e da festa. Boa parte deles ainda conta com um mural para os convidados deixarem mensagens aos noivos.

O presente do casamento

Presentear quem está se casando nunca sai de moda, mas o formato do presente vem mudando ao longo do tempo. Depois da febre da lista na loja de artigos para casa, as listas virtuais são as novas queridinhas dos casais. “Atualmente, muitos noivos já dividem um lar e têm uma residência praticamente completa”, lembra Cris. Por isso, eles preferem uma lista de casamento que permita resgatar todos os presentes em dinheiro – um valor que pode ser gasto ou investido de acordo com a vontade de cada casal.

As alianças

A espessura da aliança muda de tempos em tempos. Tem época que a moda é um anel fino; em outra, grosso. Às vezes, a aliança da mulher vem com um detalhe a mais, como um brilhante, mas, em geral, os pares ainda costumam ser idênticos. É importante para muitos noivos fazer as suas próprias alianças com suas próprias mãos- um gesto romântico de cavalheirismo às antigas que derrete, além de ouro, os corações.

First Look. Será?

Você já deve ter visto muitos ensaios pré-casamento. Porém, segundo Cris, nem sempre a mulher está com o vestido da cerimônia. “Nem a sogra vê o vestido da noiva. O vestido da noiva é da noiva”, enfatiza Cris. Para fazer esse ensaio, muitas optam por usar dois vestidos: um nesse momento com o noivo e outro na entrada do casamento. Afinal, vai que… Ninguém quer azarar, né?

Vestido branco

O vestido branco puríssimo saiu de cena coleções atrás para dar espaço ao off white. Raras são as noivas que trocam esse tom ou uma paleta próxima à do champanhe, por outra cor, como rosa, vermelho ou azul. “Quem está casando pela segunda vez, geralmente, usa um vestido de outra cor”, explica Cris.

A entrada com os pais no cortejo

A sociedade mudou muito nos últimos anos. E os padrões de família também. Tanto Godoy quanto Cris lidam frequentemente com filhos de pais separados que não fazem questão de entrar com a mãe ou com o pai no casamento. Segundo eles, esse foi o rito que mais passou por transformações. Há quem prefira entrar sozinho, com o irmão ou a irmã, com os avôs ou mesmo com o padrasto ou madrasta. “A gente tem que administrar. Faz parte da modernidade”, diz Cris.

As músicas favoritas do casal

Segundo o ditado, clássicos não envelhecem. A marcha nupcial ainda ser a música favorita das noivas que optam por se casar na igreja. No entanto, quem casa no campo, na praia, em restaurantes ou mesmo na casa dos pais, costuma selecionar músicas que tenham relação com a história do casal. Em suas cerimônias, Godoy quase não vê noivas entrando com a famosa música de Mendelssohn.

Os padrinhos

Assim como os casamentos estão cada vez menores, a fila de padrinhos também deu uma encolhida (e dificultou a escolha dos padrinhos). Embora a predominância ainda seja de casais, eles não precisam ser necessariamente casados ou namorados. Afinal, nem sempre o crush da sua melhor amiga é seu amigo. Mas há ainda quem inove. Godoy vai realizar um casamento no qual o noivo chamou apenas seus cinco melhores amigos para serem padrinhos. Cris acredita que, com o aumento de casamentos gay, talvez esse padrão homem e mulher como testemunhas também mude com o passar dos anos.

A entrada das alianças

As alianças ainda são majoritariamente trazidas por crianças. Godoy, porém, já viu avôs e avós fazendo as vezes de daminha e pajem, e até o cachorro. “Eu acho muito bacana essas adaptações. Mas as crianças ainda têm aquele charme extra”, diz.

Trocar a noite pelo dia

A tradicional cerimônia realizada depois do surgimento da lua está sendo substituída pelo evento vespertino ou, mesmo, matutino. Segundo Godoy, boa parte dos casamentos que ele realiza ocorre durante o dia. Isso não impede que a celebração atravesse a noite, claro. E o momento fim de festa ganhou um novo rito: o lanchinho da madrugada. Agora, ninguém chega mais de um casamento com fome porque gastou tudo o que comeu na pista.

Votos personalizados

Com exceção dos casamentos religiosos, nos quais os votos seguem um padrão oficial, a declaração de amor eterno ganhou outras palavras. Os próprios noivos criam discursos para reafirmar o compromisso em frente ao seu par. Nas suas cerimônias, Godoy faz questão de que eles escrevam seus próprios votos. Quem não quiser levar algo escrito pode improvisar na hora.

Padre, celebrante, amigos ou juiz de paz, tanto faz

Casar de papel passado ainda é algo que os noivos fazem questão. Porém, a cerimônia nem sempre tem caráter religioso. Depois de assinar o documento no cartório, muitos noivos celebram o casamento sem a presença de uma autoridade religiosa, substituindo-a por alguém que conte a história deles. Essa pessoa pode ser o celebrante de casamentos, como Godoy, que está no ofício há cinco anos e acredita que esta é uma área em expansão. Amigos também surgem como opção para conduzir o rito, dizer aos noivos a importância daquele momento e que eles já podem se beijar.

A valsa

Praticamente ninguém mais dança uma valsa para abrir a pista. Hoje os noivos escolhem canções que tenham a ver com a trajetória deles. Casais mais arrojados ensaiam até uma coreografia para fugir dos dois para cá, dois para lá – alguns ainda contam com a participação de pais e padrinhos nesse momento.

O corte da gravata

Embora Cris ache o rito deselegante, muitos noivos não abrem mão da brincadeira do corte da gravata – geralmente uma arrecadação extra para a lua de mel. Esse rito tem adaptações, como o leilão da garrafa de uísque. A noiva também conta com a sua versão. Nela, as madrinhas passam o sapato da noiva para os convidados depositarem o dinheiro.

 

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