Filme trata prostituição infantil em tom de documentário

[Resenha para o site de Cultura Geral]

O cinema nacional vem registrando retratos do Brasil, ora em um viés histórico, ora social. Anjos do Sol, de Rudi Lagemann, discute prostituição infantil. O roteiro do filme é baseado, dentre muitas notícias e relatos sobre o tema, na história de Cinqüenta Centavos, uma menina que se prostitui para ganhar a vida e cobra o valor de seu pseudônimo.

Maria (Fernanda Carvalho),12 anos, de família nordestina miserável é vendida por seu pai para conseguir um sustento momentâneo à família. Revendida a uma cafetina (Vera Holtz), leiloada para um fazendeiro, Lourenço (Otávio Augusto) – que quer uma garota pura para seu filho perder a virgindade – e mais uma vez vendida para um bordel de prostitutas infantis e outras recém-saídas da infância.

Durante todo esse comércio, Maria conhece Inês (Bianca Comparato), garota mais madura, arisca, que convence a protagonista a fugir com ela. São capturadas pelo dono do bordel, Saraiva (Antônio Callado) e “presenteadas”, como diz o cafetão. Inês é amarrada a um jipe e arrastada até a morte. Essa é a cena mais forte e dramática do filme. A personagem de Comparato, sempre de semblante fechado, mostrando-se até o momento uma pessoa forte, quando se vê na situação do castigo desaba, chora.

A morte da amiga, somada ao seu castigo (ficar durante um mês presa acorrentada na cama recebendo toda noite clientes sem parar) faz crescer um sentimento de revolta em Maria. Em um dia da Copa, ajudada pela prostitua Celeste (Mary Sheyla), foge para o Rio Janeiro. Procura a alcoviteira Vera, que além de manter garotas na prostituição na orla de Copacabana, contribui para o comércio sexual pela Internet. E ao perceber que sua vida não seria diferente ao lado da cafetina carioca, foge. Contudo, dessa vida e nas condições nas quais se encontra, não há outra saída.

Apesar do tema forte, o filme é formado por cenas sutis, delicadas. O caráter de denúncia está presente o tempo todo. O drama tem uma seqüência linear, chegando até ser um pouco previsível. Tem um certo ar de reportagem devido a verossimilhanças dos figurinos e cenário. A atriz que interpreta Maria consegue, através do olhar, refletir a tristeza de uma infância roubada; sempre de cabeça baixa demonstra a opressão de quem está além margem da sociedade, um universo fechado onde nunca se sabe o que esperar do amanhã.

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