Para arte é preciso tempo

[Cobertura do I Congresso de Jornalismo Cultural, mesa sobre Artes Plásticas, para o Site de Jornalismo]

Artistas mostram que entendem melhor o papel da crítica do que o jornalista

 

A mesa, presidida pelo editor executivo da Editora Martins Fontes, Alexandre Martins Fontes, era composta pelos artistas plásticos Ana Maria Tavares e Paulo Pasta, pelo jornalista da Folha de S. Paulo Fábio Cypriano e pelo designer gráfico Rico Lins, que comentaram sobre o papel da crítica de arte no I Congresso de Jornalismo Cultural.

Quem abriu o debate foi Fábio Cypriano, comentando sobre a “complacência que existe no jornalismo cultural”. Para ele, o rigor que existe no jornalismo político também deveria existir no cultural. No entanto, segundo o jornalista, a área é vista como entretenimento. “Alguns veículos não querem que a crítica se aprofunde, só querem que se fale bem. O leitor é tratado como ingênuo”, comentou.

A segunda a falar foi a artista plástica Ana Maria Tavares, que preferiu ler um texto de sua autoria, no qual lembrava o surgimento da crítica de arte e a presença do gênero nos séculos passados. Discursou também sobre a batalha dos artistas brasileiros das décadas de 1960 e 70, os quais aprenderam, eles mesmos, a escrever sobre seus trabalhos, pois não havia uma crítica que fizesse. De acordo com Tavares, o papel do crítico não apenas de “criticar, mas de refletir arte”.

Depois do discurso da artista, Paulo Pasta comentou humildemente que só tinha alguns apontamentos sobre o assunto. E foi o que melhor definiu a questão do jornalismo, o artista e a crítica. Pasta observou a “fragilidade do jornalismo”, que, por conta do imediatismo, acaba não se aprofundando em nada. Por isso, segundo ele, o jornalista, que teria o papel de crítico, não consegue refletir sobre arte para escrever.

Pasta também ressaltou que arte nem sempre é ruptura, também é uma continuidade, e que o jornalista não entende muito bem isso: “O jornal acha que tudo está acabando”, disse criticando aqueles que sempre esperam algo totalmente inédito quando vai a uma exposição. E ainda definiu o que seria a figura do critico de arte: “o critico não é aquele que se coloca entre o artista e a obra, é aquele que se põe ao lado do artista. Que acompanha o trabalho dele.”

Para encerrar as apresentações antes de ir para as perguntas, foi dada a palavra ao designer Lins Rico, que comentou: “eu estou me vendo como um estanho aqui.” Rico falou sobre seu trabalho de designer e sua nova exposição que abrirá no Instituto Tomie Ohtake.

Faltando 15 minutos para encerrar o encontro, o mediador Alexandre Martins Fontes fez uma pergunta da platéia para Cypriano: se ele se considerava um jornalista cultural ou um crítico? O jornalista respondeu que os dois, pois havia espaço para ser as duas coisas no jornal. “Eu faço reportagem cultural e assino no jornal como ‘da reportagem local’, mas também ponho lá as estrelinhas como crítico”, respondeu. E foi questionado pela platéia: “Para você, crítica de arte é pôr estrelinhas?” O jornalista disse que não, mas essa era uma das formas de avaliar da Folha.

Em seguida, Martins Fontes perguntou aos presentes na mesa se eles achavam que a imprensa influenciava o valor monetário das obras de arte. Cypriano e Ana Maria Tavares concordaram que não. Paulo Pasta observou que depende: “no Brasil, não. Mas a crítica feita em alguns países da Europa, por exemplo, pode influenciar, sim.”

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